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A MORTE DE NININHO, O “FIAPO DE OURO”.

A MORTE DE NININHO, O “FIAPO DE OURO”.

A mesma torcida apaixonada que compareceu em grande número ao estádio, durante o jogo do Botafogo contra o Santos de Pelé, no dia 14 de novembro de 1969, se fez presente na última homenagem a um dos seus maiores ídolos, quando da sua surpreendente morte ocorrida sete dias após esse evento. Nininho, o fiapo de ouro!

Nininho era um pernambucano que conquistou a grande nação alvinegra do Belo, enquanto atuava como atacante do mais querido time de João Pessoa. Por sua compleição física franzina ganhou o apelido de “Fiapo de Ouro”. Sua despedida dos campos de futebol foi exatamente na partida que se tornara uma festa, por ocasião da reabertura do Estádio Olímpico. Parecia até que o destino decidira fazer de Pelé, o “rei do futebol”, a testemunha maior da derradeira jornada esportiva do consagrado futebolista que defendia as cores do Botafogo paraibano.

Aos vinte e três anos de idade, Nininho vinha adiando submeter-se a uma cirurgia de hemorróidas. O incômodo que a doença estava lhe causando não permitiu mais que continuasse protelando a decisão de fazer a operação. O ato cirúrgico, no Hospital São Vicente de Paula, transcorreu sem maiores problemas. O médico do Botafogo, Dr. Nabor de Assis, acompanhou todo o procedimento. Lamentavelmente, poucas horas depois o jogador enfrentou uma crise de insuficiência renal aguda, o que deu causa ao seu óbito.

A cidade foi apanhada de surpresa com a notícia. O clima era de consternação. O semblante dos torcedores era de profundo abatimento. O impacto do infausto acontecimento causou tristeza, não só aos desportistas, mas à população como um todo. Ao lado do seu esquife, não se podia mais vibrar com a sua performance extraordinária como jogador de futebol, só nos restava prestar-lhe as homenagens que fez por merecer enquanto em vida e chorar a dor da sua morte.

A multidão que pranteava seu falecimento lamentava não poder mais se deslumbrar com o seu magistral talento com a bola nos pés. Gonzaga Rodrigues escreveu em uma de suas crônicas: “Nininho saiu da vida como quem se desfaz das chuteiras, no tempo de um gesto, num átimo. Dificilmente posso deixar de esperar por aqueles dribles de corpo, o cabelo descrevendo o jogo das pernas, o reflexo do passe no eco da torcida”.

“INVENTÁRIO DO TEMPO II”, livro em construcao.

Por Rui Leitão

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