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FENAJ e Sindicatos repudiam agressões a jornalistas na cobertura da greve dos caminhoneiros


Foto: Átila Alberto

Mais de uma dezena de jornalistas, em pelo menos oito estados brasileiros, sofreram ameaças e agressões verbais durante o trabalho de cobertura da greve dos caminhoneiros, desde o dia 21 de maio de 2018. Houve relatos de casos na Bahia, Ceará, Londrina, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e os Sindicatos filiados denunciaram as agressões e pediram providências às autoridades de Segurança Pública.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia protestou contra a  agressão verbal  sofrida pela equipe da TV Subaé, formada pela jornalista Poliana Rodrigues, pelo repórter cinematográfico Leonel Alves e pelo operador Silvério Segundo, quando faziam matéria jornalística sobre a paralisação dos caminhoneiros na região de Feira de Santana, bairro Cidade Nova. Os profissionais foram agredidos verbalmente por populares de identidades não informadas que, supostamente, faziam parte das manifestações.

“Essa agressão a integrantes da imprensa é um grave sintoma da violência que permeia a sociedade por atingir pessoas que são responsáveis por dar voz aos problemas desta mesma sociedade. O Sinjorba solicita o imprescindível apoio da Secretaria de Segurança Pública da Bahia para que providências sejam tomadas e o profissional de imprensa possa desempenhar seu trabalho com liberdade e respeito ao público conforme rege a Lei”, disse a diretora regional do Sindicato da Bahia, Marly Caldas.

Equipes da TV Verdes Mares, do Ceará, foram hostilizadas nos últimos dias. Duas delas foram impedidas de trabalhar. Alessandro Torres, Alana Araújo, Aline Oliveira e o repórter cinematográfico Souza foram os profissionais que sofreram as agressões. Mais duas equipes de TV foram insultadas pelo movimento dos caminhoneiros. Os repórteres João Albuquerque, da TV Cidade, e Miguel Anderson Costa, da TV União, além do repórter cinematográfico Matheus Sousa, também da TV União, formam o segundo grupo intimidado. A reportagem do jornal O Povo também foi vítima das ilações dos participantes do protesto. Germana Pinheiro e Matheus Facundo Araújo foram alvo de insultos.

Diante dos fatos, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) entrou em contato com as organizações representantes dos caminhoneiros para que orientem os grevistas a respeitar o trabalho dos jornalistas. Também se coloca à disposição dos jornalistas para receber denúncias e buscar formas de garantir a segurança dos profissionais. O Sindjorce reitera que cobra há cinco anos a instituição de um protocolo de segurança para jornalistas, a ser pactuado entre sindicato laboral, empresas de comunicação e o Governo do Estado do Ceará. No entanto, os donos da mídia têm se negado a avançar neste sentido.

Em Pernambuco, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais (Sinjope) repudiou as agressões a profissionais da imprensa em seu exercício profissional. As ações foram registradas nos dias 24 e 25 de maio, quando profissionais da TV Globo foram vítimas de atos covardes, um deles diante de PMs que se omitiram em vez de garantir o trabalho da imprensa. A direção do Sinjope também cita casos no interior de Pernambuco, onde houve ameaça e imposição para destruição de imagens.

Censura

A censura no Diário de Pernambuco também foi denunciada pelo Sinjope e FENAJ. De acordo com o Sindicato, profissionais do jornal realizaram uma cobertura isenta sobre a greve e protestos de caminhoneiros contra a alta do preço do óleo diesel. No entanto, a manchete do Diário incorporou um foco hostil aos caminhoneiros. Profissionais e estagiários que trabalham no jornal pediram uma retratação para a manchete “desastrosa” que não condizia com o conteúdo da edição. Segundo eles, o conteúdo apurado não correspondeu ao que expressou a manchete, evidenciando uma clara distorção do enquadramento das matérias pela direção da empresa. “O Sinjope e a FENAJ acolhem e reverberam o protesto desses profissionais e conclamam a direção do Diário de Pernambuco e das demais empresas a respeitarem o trabalho de cada profissional”, diz a nota do Sindicato.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná, Danilo Marconi, foi ao 6º Distrito Policial de Londrina, no dia 28 de maio, registrar boletim de ocorrência devido às ameaças aos jornalistas durante o movimento dos caminhoneiros. São pelo menos quatro casos em Londrina e dois em Maringá. Em um dos episódios, manifestantes ameaçaram atirar de um viaduto um repórter da RPC caso ele dissesse algo considerado negativo pelo movimento. Já uma equipe da RIC TV teve o carro cercado por um grupo com barras de ferro. No domingo (27), manifestantes também cercaram a sede da RPC Londrina proferindo ofensas aos funcionários.

O Sindicato dos Jornalistas recomenda que os próprios profissionais vítimas de ameaças e/ou agressões registrem queixa e representem contra os autores. O assessor jurídico do sindicato, Davidson Santiago Tavares, diz que é necessário haver representação da vítima para que os órgãos competentes abram inquérito e entrem com ação penal. O prazo para representação é de seis meses.

O Sindicato do Estado do Pará recebeu relatos de casos de dois jornalistas (um repórter e um repórter fotográfico) do jornal O Liberal que foram hostilizados na cobertura da greve dos caminhoneiros no município de Benevides, Região Metropolitana de Belém. Sob xingamentos, foram acusados de estarem a serviço do governo. No Rio Grande do Sul, jornalistas da RBS TV também sofreram agressão verbal.

Uma equipe do jornal O Globo foi ameaçada na manhã de sábado (26) em frente à Refinaria Duque de Caxias (Reduc). Uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal foram abordados durante o trabalho e tiveram de sair às pressas do local depois de dois homens terem mostrado um artefato que parecia ser uma granada. Por volta das 6h, quando passava de carro perto o centro de distribuição da Shell, em marcha lenta e com logotipo do jornal à mostra, a equipe percebeu uma aglomeração de caminhoneiros no local. Dois homens se aproximaram. Um deles, que tinha o rosto encoberto, desferiu dois socos na porta do motorista e gritou para que a equipe saísse dali. A equipe decidiu estacionar em outro ponto da via, próximo a uma viatura da PM.

Os policiais, contudo, tiveram de sair depois que alguns caminhoneiros começaram a disparar rojões na direção da refinaria. Foi então que dois homens ameaçaram atear fogo nos carros do jornal e da TV Globo, que também tinha uma equipe de jornalistas no local. Em seguida, o homem tirou um artefato semelhante a uma granada do bolso e mostrou-o ao motorista. Por segurança, a equipe decidiu abandonar o local e registrar a ocorrência.

Em Santa Catarina, o jornalista Arnaldo Zimmermann foi vítima de intimidação, ameaça e teve seu celular derrubado com um tapa, desferido por um dos agressores. Ele fazia uma transmissão ao vivo, de Indaial, quedado foi interrompido por um caminhoneiro, que questionou se ele tinha autorização para gravar. Outros manifestantes se aproximaram e começaram a intimidá-lo, até que um deles derrubou o celular do profissional. A Sindicato de Jornalistas de Santa Catarina e a FENAJ repudiaram a agressão e, em nota pública, também manifestaram-se contra a política de preços dos combustíveis praticada pelo governo federal e Petrobras.

Defesa intransigente

A Federação Nacional dos Jornalistas e os 31 Sindicatos filiados conclamam aos profissionais vítimas a registrarem tais ocorrências e a buscar apoio nos Sindicatos de Jornalistas. Relatório da Violência contra os Jornalistas, produzido pela FENAJ, edição de 2017, mostrou que foram registrados 99 casos agressões contra jornalistas, 38,51% a menos do que em 2016, quando houve 161 agressões. Neste ano, um jornalista e um radialista foram assassinados e já acorreram mais de 50 casos de agressões.

A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas brasileiros salientam que agressões verbais e/ou físicas devem ser veementemente apuradas e condenadas, inclusive como objeto de processos criminais, além de constituírem atentado à liberdade de informação, de imprensa e, portanto, uma afronta a princípios basilares da democracia. “Defendemos intransigentemente o jornalista no exercício profissional”, diz a presidenta Maria José Braga.


Brasil entra na lista suja da OIT


Arte: Edson Rimonatto/Cut Brasil

Reforma trabalhista do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), que acabou com direitos e legalizou formas de contratação fraudulentas, colocou o Brasil na lista dos 24 casos mais graves de violações das convenções e recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A decisão foi anunciada nesta terça-feira (29), na 107ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, na Suíça.

Ao entrar na chamada ‘lista curta’ da OIT – dos 24 casos mais graves registrados no mundo -, o Brasil passará a ser alvo de um intenso exame pela Comissão de Aplicação de Normas da Organização. Na prática, o governo será obrigado a responder sobre as violações de normas das quais o Brasil é signatário, o que gera um constrangimento internacional ao país.

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, o anúncio é, na realidade, um reconhecimento da denúncia feita pela CUT desde que o governo Temer começou a discutir a reforma trabalhista (Lei nº 13.467, em vigor desde 11 de novembro do ano passado).

“Além de ferir gravemente as normas internacionais do trabalho, a reforma trabalhista representa um retrocesso de cerca de 100 anos nos direitos trabalhistas conquistados com muita luta ao longo de décadas”, diz Lisboa.

“Foi uma lei aprovada em tempo recorde, sem negociação, nem diálogo com os trabalhadores, que perderam direitos históricos, praticamente rasgou a CLT e ainda colocou o trabalhador na mão do patrão,” disse o dirigente se referindo a itens como a demissão acordada entre o patrão e o empregado que reduz em 50% o aviso prévio e em 20% o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, entre outras perdas.

Todo ano, a partir de uma avaliação prévia do Comitê de Peritos da OIT, especialistas em relações do trabalho do mundo todo, representantes de empregadores e trabalhadores estabelecem uma lista preliminar de 40 casos de graves violações, a chamada “lista longa”. Dessa lista, são selecionados os 24 casos mais graves.

Com Temer, o Brasil entrou na lista longa em 2017 por violar as Convenções 98, 151 e 154. E, agora, em 2018, com a nova legislação em vigor, o País passou a integrar a lista curta por violar as Convenções 98 e 144, que tratam, respectivamente, da regulamentação da Convenção Coletiva e da obrigatoriedade de consulta aos trabalhadores em casos de mudanças como as promovidas pela reforma trabalhista.

Segundo Lisboa, no total, a OIT tem 189 Convenções e 202 recomendações e nem todas entram na lista anual de violações a serem analisadas. Este ano, a Convenção 98, por exemplo, não estava na lista de normas a serem verificadas junto aos países membros da Organização.

“Entretanto, agora, seis meses após a aprovação da nova lei, a gravidade e a quantidade de ataques promovidos não deixaram dúvidas sobre as consequências da reforma trabalhista e a OIT abriu exceção para analisar o caso do Brasil”, explicou Lisboa.

Em 2017, a CUT já alertava para as ameaças aos direitos trabalhistas, mas, como no primeiro semestre do ano passado a lei ainda não havia sido aprovada, o Brasil, embora constasse na “lista longa” de 40 casos, não foi incluído na lista curta.

“A CUT trabalhou para que o Comitê de Peritos continuasse as discussões este ano e, dessa vez, conseguimos que eles inserissem o país na lista de 24 casos graves.”

Lisboa explica que dois pontos aprovados pela reforma e previstos na nova legislação trabalhista foram determinantes para a análise do caso: a possibilidade do negociado prevalecer sobre o que está na lei – negociado sobre o legislado – e a permissão da demissão individual, negociada com o patrão e sem a participação do sindicato.

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, diante dos graves ataques do governo ilegítimo de Temer aos direitos trabalhistas, instrumentos internacionais de proteção, como as Convenções da OIT, são uma importante linha de defesa jurídica.

“E a CUT não medirá esforços para defender os interesses da classe trabalhadora brasileira”, conclui.
Fonte: CUT.

Nota das centrais sindicais
Brasil na lista suja da OIT

A OIT – Organização Internacional do Trabalho decidiu nesta terça feira, 29 de maio, incluir o Brasil na lista dos 24 países violadores das suas convenções e normas internacionais do trabalho.

A inclusão do Brasil na lista se deu em decorrência da aprovação da Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17) que retirou dezenas de direitos das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, violando normas fundamentais da OIT, especialmente a Convenção 98, ratificada pelo Brasil, que trata do Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva. A OIT avalia que a possibilidade do negociado prevalecer sobre o legislado para retirar ou reduzir direitos e de ocorrer negociação direta entre trabalhador e empregador, sem a presença do Sindicato, são dispositivos que contariam a referida convenção.

Esta decisão da OIT, uma agência da ONU – Organização das Nações Unidas, confirma as denúncias das Centrais contra as práticas antissindicais do governo que se tornaram ainda mais graves com a tramitação do projeto da reforma no Congresso Nacional, aprovada sem diálogo com as representações de trabalhadores e trabalhadoras, neste caso, violando também a Convenção 144 da OIT.

Diante da decisão da OIT, os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros esperam agora que o governo reconheça a gravidade do erro cometido e faça a revogação imediata da reforma trabalhista.

Genebra, 29 de maio de 2018.
CUT – Central Única dos Trabalhadores
CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
FS – Força Sindical
NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores
UGT – União Geral dos Trabalhadores


Jornalistas da imprensa sindical reúnem-se em Salvador

A partir de amanhã, 31, até o dia 2 de junho, Salvador será sede do 6º Seminário Unificado da Imprensa Sindical e 4º Encontro Nacional de Jornalistas Sindicais. O evento, organizado pelas entidades que compõem o Fórum de Comunicação da Classe Trabalhadora em parceria com o Sindicato dos Jornalistas da Bahia, será realizado no Hotel Vila Velha, localizado no Corredor da Vitória.

A presidenta da FENAJ, Maria José Braga, será uma das palestrantes do 4º Encontro Nacional de Jornalistas Sindicais, falando sobre os impactos da contra-reforma trabalhista para a categoria dos jornalistas (veja a programação completa abaixo).
Os dois eventos, desde a primeira edição, têm reunido dirigentes sindicais, profissionais da imprensa, estudantes de Jornalismo e demais interessados na comunicação sindical.

Na edição deste ano, estão em pauta temas como o fortalecimento da comunicação sindical para o enfrentamento aos ataques do capital, o papel das entidades sindicais na conscientização da classe trabalhadora, a democratização da mídia e a luta pela neutralidade da rede; o tratamento das pautas de raça, gênero e movimentos populares na comunicação sindical, a importância da mídia alternativa na luta de classes, dentre outros assuntos.

Para mais informações, acesse o site www.seminariodeimprensasindical.com.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
DIA 31/05 (QUINTA-FEIRA)

8h – Credenciamento
9h15 – Saudação da organização / abertura

9h30 – Mesa 1
Comunicação sindical – Fortalecer para o enfrentamento aos ataques do capital”
Cláudia Giannotti – Coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC)
Kardé Mourão –  Ex-presidenta do Sinjorba e ex-diretora Fenaj
Rita Casaro – Membro do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

13h30 – Mesa 2
Mesa das centrais sindicais. A conjuntura e o papel da comunicação sindical no avanço da consciência de classes. Estamos cumprindo nossa tarefa?
Adilson Araújo – Presidente nacional da CTB
Nailton Francisco – Presidente da Nova Central
Representante CUT
Representante CSP- Conlutas

16h – Mesa 3
Comunicar é preciso – O diálogo com a base e a relação entre os novos e os clássicos veículos de comunicação
Augusto Vasconcelos – Presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia
Luciana Araújo – Coord. de Comunicação do Sind. dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo
Marcelo Chamusca – Coordenador de MBA em mídias sociais

DIA 01/06 (SEXTA-FEIRA)
9h – Mesa 4

Como trabalhar a comunicação de gênero, raça e Movimentos Populares no Movimento Sindical
Ângela Guimarães – Presidenta da União de Negros pela Igualdade – UNEGRO
Cleidiana Ramos – Ex-jornalista A Tarde e doutora em Antropologia pela UFBA
Vilma Reis – Socióloga e Ouvidora do Ministério Público da Bahia

13h30 – Mesa 5
A luta pela democratização da mídia e pela neutralidade de rede. O que os sindicatos têm a ver com isso?
Renata Mielli – Coord. Geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
Márcio Patusco –  Conselheiro do Instituto Telecom
Leandro Fortes – Ex-chefe da Radiobrás (atual EBC), ex-jornalista do Correio Braziliense e O Estado de S.Paulo

16h – Mesa 6
As mídias alternativas na luta de classes. A comunicação no enfrentamento à mídia hegemônica e ao genocídio das minorias
Emília Mazzei – Jornalista Mídia Lampião e coord. do programa Jovens Comunicadores do Semiárido
Laura Capriglione – Coletivo Jornalistas Livres e ex-repórter especial Folha de S.Paulo
André Santana – Jornalista Portal Correio Nagô
Representante do Movimento de Organização e Comunicação Comunitária (MOC)

DIA 02/06 (SÁBADO) – 4º Encontro Nacional de Jornalistas Sindicais
9h30 – Mesa 1

A Reforma Trabalhista – Na prática quais ataques estão impactando a categoria de jornalistas?
Jorge Lima – Presidente da Associação Baiana dos Advogados Trabalhistas (ABAT)
Maria José Braga – Presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)

14h – Mesa 2
Intervenção, troca de experiências e propostas: condições de trabalho nas assessorias sindicais


São Paulo: Campanha de Jornais e Revistas tem 2ª rodada


Foto: Flaviana Serafim.

A terceira rodada ocorre em 12 de junho, quando as cláusulas econômicas serão o centro dos debates. Foto: Flaviana Serafim/SJSPNa segunda rodada de negociação da Campanha Salarial de Jornais e Revistas da Capital, ocorrida na manhã desta terça-feira (29), a bancada patronal deu continuidade à análise das cláusulas sociais reivindicadas pelos jornalistas na pauta da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2018-2019. A data base do segmento é em 1º de junho.

Das novas cláusulas que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) propôs incluir, sobretudo para defender a categoria com a “reforma” trabalhista, a maioria foi rejeitada pelo Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de São Paulo (Sindjore).

Confira a íntegra da pauta.

Entre os novos itens que os patrões não aceitaram incluir na CCT estão cláusulas da pauta relativas ao acordo mútuo em caso de demissão (81ª), à proibição de lactantes em local insalubre (82ª),  de regime de trabalho 12 x 36 (84ª) e de terceirização no setor (78ª), bem como a que estabelece regras para o teletrabalho ou home office (87ª).

A  licença maternidade de seis meses (44ª) também foi recusada, assim como a nova redação proposta para as cláusulas de assédios moral e sexual, alteradas pelo SJSP como resultado de debates sobre essas questões junto à categoria e com o intuito de ampliar o enfrentamento ao problema.

No caso da rescisão por mútuo acordo, o SJSP propôs na pauta que as empresas comuniquem ao Sindicato antes de formalizar essa forma de demissão legalizada pela “reforma” da CLT, pois esse tipo de dispensa prejudica o jornalista porque garante somente metade da multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de impor o limite de saque de 80% do FGTS e de tirar o direito ao seguro-desemprego.

Para o teletrabalho, as mudanças na CLT incluíram essa forma de trabalho, mas sem especificar as responsabilidades quanto aos custos. A cláusula proposta pelo SJSP visa deixar claro que cabem às empresas os custos diretos ou indiretos (tais como acesso à internet, telefone, computador, entre outros),  assim como a responsabilidade por garantir o controle da jornada, com a devida compensação ou pagamento de horas extras, mas o item foi rejeitado pelo Sindjore.

Os empresários ainda rejeitaram a inclusão da 41ª cláusula da pauta, que trata da liberdade da expressão e exercício da cidadania. Pela proposta defendida pelo SJSP,  as empresas não podem restringir, por normas internas, o exercício de cidadania para seus profissionais contratados.

Para a bancada dos trabalhadores, apesar de o ponto ter sido rechaçado pelos empresários, a cláusula é importante para destacar que o contrato de trabalho não dá à empresa o direito de tutelar o posicionamento público do jornalista, nem permite ingerência em suas atividades fora do horário de trabalho.

Exclusões e cláusulas mantidas na Convenção Coletiva

A bancada patronal também quer excluir a 23ª cláusula da pauta, item que já fazia parte da Convenção Coletiva (cláusula 25ª) e obrigava as empresas a mencionar expressamente, no contrato de trabalho, o nome do veículo ao qual o jornalista está vinculado. Para justificar a exclusão deste ponto, os empresários alegaram que a mudança é necessária para “se ajustar aos novos tempos” porque, atualmente, o profissional trabalha para um grupo econômico e não mais para uma empresa ou mídia específica.

Para a bancada dos trabalhadores, não se tratam de “novos tempos”, mas, sim, de abrir espaço para obrigar o jornalista a trabalhar para os diversos veículos e plataformas dos grupos de comunicação, ampliando a precarização nas redações, criticam os dirigentes do SJSP.

Quanto a outros pontos que já existiam na CCT, o Sindjore está de acordo com a manutenção de parte das cláusulas da pauta, entre as quais a referente à época de pagamento de salários até o dia 5 de cada mês (5ª), ao cumprimento de aviso prévio (28ª), ao cadastro de jornalistas com deficiência (29ª) e à defesa judicial do jornalista processado em decorrência do exercício profissional, que deve ser custeada pela empresa (31ª).

Foram mantidas, ainda, as cláusulas sobre fornecimento de equipamentos aos repórteres fotográficos e cinematográficos (37ª), as referentes ao atendimento médico (63ª) e a acidente de trabalho (64ª), à contribuição sindical ao SJSP (69ª) e ao direito de reunião dos jornalistas no local de trabalho (74ª) para que os profissionais debatam assuntos de seu interesse.

Como a avaliação das cláusulas sociais foi concluída na rodada deste 29 de maio, a negociação que ocorreria no próximo dia 5 de junho foi cancelada.

A terceira rodada ocorre em 12 de junho, quando a pauta econômica estará no centro dos debates. Além da reposição da inflação acumulada pelo INPC entre 31 de maio de 2017 e este 1º de junho, os jornalistas do setor reivindicam aumento real de 3%.


CCT: Assembleia no dia 5 de junho avaliará nova proposta patronal

Embora as reuniões de negociação tenham se iniciado em 17 de abril, apenas em 9 de maio – mais de mês após o envio da pauta – o Sindicato das Empresas de TV, Rádios e Jornais (Sinterj) apresentou uma contraproposta concreta às reivindicações dos trabalhadores. Desde então, o Sindicato dos Jornalistas do DF vem dialogando para avançar em uma proposta que atenda aos anseios da categoria. Infelizmente, o sindicato patronal não avançou o necessário para uma proposta de consenso entre as duas partes e preferiu encaminhar uma pauta própria para os jornalistas. Para avaliar esse cenário, o SJPDF convoca a categoria para assembleia-geral, que ocorrerá na próxima terça-feira, 5 de junho, com primeira chamada às 19h30.

A proposta patronal prevê reajuste de 2% no salário, no piso e no seguro de vida. No PPR/Abono as empresas chegaram aos valores do acordo de 2017, com R$1650,00 no piso e R$1900,00 no teto, mas parcelando o pagamento até fevereiro de 2019. O reajuste do auxílio-alimentação passaria para R$300,00, sendo pago em dezembro de 2018.

As empresas ainda concordaram que a diminuição de 30 minutos da intrajornada e a divisão das férias em três parcelas sejam feitas em comum acordo com os trabalhadores. A proposta do sindicato patronal é que a Convenção Coletiva de Trabalho seja de dois anos, com revisão das cláusulas econômicas em 2019, em negociação com mais seis cláusulas de cada parte.

O Sindicato dos Jornalistas avalia como prejudicial para a categoria a proposta das empresas de ampliação da compensação de horas extras para 180 dias – atualmente são 90 dias. O Sinterj ainda propõe que as rescisões contratuais não sejam, sequer, informadas ao SJPDF, o que também configura um retrocesso para a categoria.

Os representantes dos jornalistas ainda questionaram, na reunião, a aplicação das regras previstas na reforma trabalhista de não computar o período de deslocamento na jornada, chamado de horas “in tineres”. Representando outro retrocesso, as empresas também negaram manter a cláusula de contribuição assistencial vigente, apresentando uma proposta que não reconhece a decisão em assembleia deste aporte da categoria ao Sindicato.

Para Wanderlei Pozzebom, coordenador-geral do SJPDF, faltou interesse, por parte dos representantes dos patrões, em construir uma proposta de consenso para beneficiar a categoria dos jornalistas. “Reconhecemos o avanço na mesa, mas é preciso desobstruir alguns debates para concluir essa negociação”, afirmou.

Após a assembleia, o Sindicato deve reunir com os representantes patronais ainda na próxima semana, para levar uma resposta da categoria.


Jornalistas e Sindjor-TO participam de Festival Internacional de Ciência

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins (Sindjor-To) apoiou o Festival Pint of Science 2018 em Palmas. O evento aconteceu de 14 a 16 de maio simultaneamente em 21 países e tem como objetivo proporcionar debates interessantes, divertidos e relevantes sobre as pesquisas científicas mais recentes em um formato acessível para o público. Tudo isso em ambientes descontraídos como cafés, restaurantes e bares.

No Brasil são 56 cidades participantes, entre elas Palmas, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Alfenas, Betim, Poços de Caldas, Diamantina, Itajubá, Janaúba, Santa Rita do Sapucaí, Uberaba, Uberlândia, Viçosa, Lavras e Juiz de Fora.

Essa é a primeira participação do Tocantins no Festival, e três jornalistas foram convidados a palestrar, numa oportunidade de mostrar a comunidade pesquisas que estão sendo desenvolvidas ou já foram concluídas na área da comunicação e jornalismo.

“O Pint foi uma oportunidade de aproximar os pesquisadores, inclusive da área da comunicação, da comunidade abordando temas que envolvem o cotidiano. Um festival importantíssimo que veio para ficar no Tocantins”, destacou Alessandra Bacelar, presidente do Sindjor-To.

Os jornalistas Glês Nascimento e Yago Modesto abordaram o tema Fake News, o jornalista Clenio Araújo abordou Comunicação Científica. O professor pesquisador na área, José Lauro abordou educação para a ciência e os jornalistas Alessandra Bacelar, Gabriela Melo, Isadora Fontes e Ruy Bucar integraram o apoio e organização do evento com pesquisadores de outras áreas. A coordenação geral ficou com o professor doutor e jornalista, Gilson Porto, membro do Observatório de Pesquisa Aplicada ao Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (Opaje).

Além do Sindjor-To, a Embrapa, a UFT, Opaje, Pró-reitoria de Pesquisa da UFT, hamburgueria Kowa e cervejaria Ortbier apoiaram o Pint Of Science em Palmas.


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