Resumo: O Futebol Feminino teve um movimento bastante positivo para seu desenvolvimento na temporada 2019.
O Futebol Feminino tem lutado pelo seu espaço, mostrando uma evolução crescente nos aspectos técnicos, táticos, propiciando jogos com grande nível, gerando mais transmissões de partidas e aumento do público nos estádios para sua modalidade.
Acompanhando essa batalha, resolvemos relembrar algumas situações que acompanharam as mulheres em 2019:
Curiosidades
O futebol feminino vivenciou sua 8ªCopa do Mundo, algumas empresas como O Boticário, funcionaram em horários especiais para assistir a edição e aos jogos da nossa seleção! Baita atitude pela igualdade.
Os EUA ganhou 4 Mundiais, seguida por Alemanha – 2, Noruega – 1 e Japão – 1, dentre tais feitos, as americanas nunca ficaram de fora das Semifinais, além de ter sido a única anfitriã a erguer a Taça. Ao vencer em casa (1999), um recorde foi estabelecido – 90.185 pessoas no estádio!
O triunfo norte-americano foi nos pênaltis, tal tipo de decisão só voltou a ocorrer em 2011, dessa vez com o Japão vencendo o próprio Estados Unidos.
Apenas Alemanha (2003 / 2007) e EUA (2015 / 2019) ganharam duas edições de forma consecutiva, sendo que as europeias não sofreram sequer nenhum gol em 2007, quando bateram o Brasil na finalíssima. Angerer, goleira alemã, ficou 622 minutos sem tomar gols em Copas. Falando na seleção canarinho, Marta balançou as redes 17 vezes na somatória, o que equivale ao recorde de artilheira, superando até mesmo o número de Klose (16) no masculino.
Outro recorde brasileiro vai para Formiga, única atleta do mundo a jogar 7 Copas. Em 9 de Junho de 2019, ao entrar em campo, venceu mais uma estatística, para se tornar a jogadora mais velha em atividade nos Mundiais – 41 anos. Por outro lado, Chiejine (Nigéria) quando tinha 16 anos foi a mais jovem a atuar.
Para quem gosta da rivalidade, a Argentina tem um número negativo, derrota de 11 x 0 para a Alemanha em 2007; a maior goleada em Copas do Mundo.
Um aspecto que chamou atenção foi a diferença da premiação: A Copa masculina rende prêmio de 38 milhões de dólares ao campeão x 4 milhões para as mulheres.
A exibição dos compromissos brasileiros na Copa Feminina, aliada a primeira camisa de jogo com design próprio, sem a “cópia” do masculino, foram outros pontos formidáveis!
Crime???
Kathellen, convocada para seleção brasileira é filha de Severina Antônia, ex-goleira que “fugia de casa” para jogar futebol, mas essa expressão, tão comum entre craques, tinha uma gravidade entre 1941 – 1979. O decreto de lei 3.199 de 14 de Abril de 1941 dizia: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.
Isso era sinônimo da proibição de esportes como futebol feminino, beisebol e halterofilismo. As argumentações eram escandalosas para os dias atuais, pautadas na “Biologia”. Absurdo!!!
Primeira Árbitra do Mundo
Lea Campos em 1965 fez 8 meses de curso na Federação Mineira de Futebol, estando assim apta para apitar, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) vetou a diplomação. Segundo a mesma, a proibição da lei não mencionava conduzir a partida, mas sim jogar.
Sua autorização foi concedida somente em 1971, quando o então presidente Médici, fez um bilhete de próprio punho destinado ao presidente da CBD, Havelange. Após muita insistência para entregar o documento em mãos, houve uma coletiva de imprensa para anunciar a liberação.
Nos dias de hoje, o quadro da CBF possui 17 árbitras, 8 com índices para apitar na Série A. O teste físico possui a mesma exigência para todos, independente de gênero: 6 tiros de 40 metros em menos de 6 segundos, correr 75 metros em 15 segundos, caminhar 25 metros em 20 segundos por 40 vezes.
Das oito árbitras em condições de atuar na 1ªDivisão, a partida entre CSA x Goiás em Maio desse ano marcou a quebra de 15 temporadas sem uma “Juíza central” na elite do futebol brasileiro.
Esforços
As histórias de superação são frequentes no futebol feminino. Se Luciano Huck, ajudou o time do Vila Nova-ES, tetracampeão capixaba a reformar sua Van no programa “Lata Velha”, há pessoas empenhadas em continuar a projetar oportunidades.
O Liverpool de Alagoas, fundado pelo técnico Leno é uma prova disso. O comandante vendeu casa e carro, vive de aluguel e investiu mais de 50 mil reais para custear inscrições e materiais esportivos do clube, que treina arduamente em um campo de terra.
Pelo menos não precisam alugar o local de treino, possuem 6 bolas e as atividades das 40 garotas ocorrem às terças e quintas, possuindo duração de 2 horas. Devido aos altos valores de inscrição em torneios, além dos inviáveis 700 mil reais para se filiar junto a Federação Alagoana de Futebol, o time sem patrocínio, sobrevive extra-campo vendendo produtos de limpeza.
Igualdade
A luta pela igualdade ganha força. Enquanto algumas seleções fizeram protesto para receber o mesmo valor do masculino pela convocação e salários, a equiparação foi anunciada na Austrália pelos próximos 4 anos.
Tanto as Matildas, quanto os Socceroos (apelidos da seleção feminina e masculina respectivamente), dividirão igualmente os 24% de receitas publicitárias geradas ao futebol local e repassados para atletas.
Na final entre Corinthians x São Paulo pelo Paulistão Feminino, a transmissão online ao invés de exibir 1 x 0 em seu placar, mostrava 0,8 x 0, após o primeiro gol corintiano. A ação da Federação Paulista de Futebol em conjunto com a ONU Mulheres e a agência de publicidade BETC / Havas evidenciava uma desigualdade levantada pelo IBGE: Quando exercem a mesma função, o salário das mulheres é 20,5% menor do que recebem os homens.
Logo o “jogo terminou 2,4 x 0”, para representar os 3 x 0. Vale lembrar que a competição registrou recordes de audiência!
Por Iván Mazzuia

















