NO TEMPO DO FUTEBOL DE VERDADE

A bola era grande, pesada e costurada a mão,
O padrão era lavado e reutilizado por vários jogos,
As chuteiras eram pretas, de couro, travas, prego e cadarço,
No tempo do futebol de verdade.
II
Os jogadores passavam anos no mesmo clube,
A gente sabia a escalação de cor e salteado,
O salário era curto e sempre atrasado,
No tempo do futebol de verdade.
III
Tinha jogador que chegava de madrugada na concentração,
Baralho, cachaça, ressaca e cabaré,
Nada disso prejudicava dentro das quatro linhas, a bola era de pé em pé,
No tempo do futebol de verdade.
IV
Os dirigentes sempre foram espertos,
Porém gostavam e entendiam de futebol,
Os clubes passavam a ser a extensão de seu lar,
No tempo do futebol de verdade.
V
Os goleiros encaixavam a bola em seus peitos,
Os laterais sabiam cruzar uma bola na cabeça do centroavante,
O centroavante jogava dentro da área e sabia fazer gols,
No tempo do futebol de verdade.
VI
A bola era jogada para frente,
Lançamentos de vinte metros cruzavam o campo,
Não havia esse agarrado de jogadores na hora do escanteio.
No tempo do futebol de verdade.
VII
A camisa dez era respeitada, vesti-la era a consagração,
Não havia essas “torcidas organizadas” se matando,
Pois quem perturbava cassetete no lombo levava,
No tempo do futebol de verdade.
VIII
Chamávamos de campo ou estádio, Arena era partido político,
O campo era de grama natural, jamais sintético ou artificial,
Nas cabines de imprensa tinha Eudes, Ivan, Geraldo e M. Aurélio,
No tempo do futebol de verdade.
IX
Hoje muita gente que não entende de futebol,
Passou a administrá-lo apenas por interesses escusos,
Eles não vivem para o futebol, eles vivem do futebol,
No tempo do futebol de verdade.
SERPA DI LORENZO















