Neste domingo (14), chega ao fim a quinta edição do Campeonato Brasileiro de Futebol Americano. Na disputa pelo título, não tem Cruzeiro, nem Atlético/MG, São Paulo, Inter ou Corinthians. De um lado, o Coritiba Crocodiles, que veste as cores do Coxa. Do outro, o João Pessoa Espectros, que veste suas próprias cores. O Brasil Bowl, como é chamado o jogo decisivo, não vai passar na Globo nem deve gerar grandes manchetes nos jornais. Mas pode acreditar: esse será um evento histórico para o esporte brasileiro.
Oficialmente, a modalidade ainda é amadora no Brasil. Mas, ao passo que o futebol nosso de cada dia definha, com médias de público cada vez menores e clubes com dívidas que parecem nunca acabar, a versão importada da terra do Tio Sam vem crescendo a passos largos. Focados na gestão profissional do esporte, os atletas, “cartolas” e empresários que já começam a vislumbrar no segmento boas oportunidades de negócios pretendem fazer de 2015 o grande ano do futebol americano no Brasil.
Um exemplo de como a modalidade vem crescendo em terras tupiniquins foi a final da Superliga Nordeste, que definiu o representante das regiões Norte e Nordeste na decisão nacional. Realizado na Arena Pernambuco, estádio construído para a Copa, na região metropolitana de Recife, o jogo entre João Pessoa Espectros e Recife Mariners registrou um público de 7.056 pessoas. Para se ter uma ideia, a média do Brasileirão foi de pouco mais de 16 mil (com todo o aparato que existe em volta do torneio).
“Independente de a competição ser amadora ou profissional, ou seja, se os atletas recebem salário ou não para competir, o primeiro passo para fazer diferente é ter uma visão profissional. Planejar a gestão do esporte como um todo, ou seja, das equipes e das entidades de administração (federações e ligas) com metas claras e com plano para alcançá-las”, ressalta Gustavo Sousa, presidente do João Pessoa Espectros.
Ele acrescenta ainda que, no âmbito dos eventos esportivos, um dos grandes desafios hoje “é pensar além do jogo em si e entender o mercado”. Gustavo acrescenta ainda que “esporte é essencialmente entretenimento, então tudo deve ser pensado para manter a atenção do público, antes, durante e até depois do evento”.
O gerente de marketing da Arena Pernambuco, Gustavo Molinaro, se disse bastante empolgado com o futebol americano, depois do sucesso da final entre Espectros e Recife Mariners. “Com todo esse sucesso, a gente está colocando o futebol americano na visita da Arena. Foi um evento diferente para a gente. Primeiro porque mostrou o potencial multiuso da Arena, e segundo porque ele tem um envolvimento diferente com o público”. ressaltou.
“A gente tentou reproduzir um pouco do que acontece nos Estados Unidos. Posicionamento do banco de reservas, a torcida atrás do banco de cada time, uma fanzone em que as duas torcidas conviviam e tinha loja com venda de camisas, exposição dos uniformes das equipes da SuperLiga Nordeste, podia fazer pintura no rosto, tinha uma brincadeira que era um painel em que as pessoas simulavam o passe, show do intervalo, teve uma cantora para o hino no início da partida, teve interação no telão. Um entretenimento realmente diferente”, acrescentou Molinaro.
Na guerrilha
Fora de campo, as dificuldades ainda são inúmeras. Por isso, ao longo de todo o campeonato, é a mobilização dos dirigentes e dos próprios jogadores que tem feito as coisas funcionarem. Em Curitiba, os atletas do Crocodiles têm realizado várias ações nas ruas e nas redes sociais, para divulgar a final do campeonato, que será disputada no estádio Couto Pereira.


















