Nesta quinta-feira (08), Dia Internacional da Mulher, o programa “Cartão Verde”, às 23h30 na Rede Cultura (João Pessoa TV Miramar canal 4/Campina Grande TV Itararé canal 18) vai receber Regiani Ritter, uma das primeiras mulheres brasileiras a se tornar repórter de campo e comentarista esportiva.
Atualmente, aos 71 anos, Regiani trabalha na Rádio Gazeta de São Paulo com o programa “Disparada no Esporte” que vai ao ar de segunda a sexta às 11h30.
Regiani Ritter nasceu em Ibitinga, no interior paulista, no dia 07 de fevereiro de 1947.
Atriz e jornalista é uma das mais completas profissionais da comunicação que o Brasil já conheceu.
Quando deixou Ibitinga, cidade do interior paulista onde nasceu e foi parar a capital aos 11 anos, Regiani já tinha em mente o sonho de ser atriz. Por isso, matriculou-se no curso do teatro Escola São Paulo, do qual foi dispensada após a primeira parte sob alegação de que já estava pronta para atuar. Deixou fotos na TV Paulista, mas só conseguiu emprego na TV Tupi em 1963, quando Geraldo Vietri lhe deu um papel com 16 falas na TV de Comédia.
Divulgação/Gazeta
Ficou quatro anos na emissora, de onde saiu para ser garota propaganda na TV Cultura e personagem de programas humorísticos nas TVs Globo e Excelsior ao lado de mestres do riso como Costinha e Ronald Golias. Voltou depois à Tupi para fazer novelas.
Em 1980, Regiani foi contratada pela Rádio Gazeta para apresentar um programa musical e de variedades. Três anos depois, a convite do diretor Pedro Luis Paoliello, começou a saga na crônica esportiva no mesmo prefixo. Cobria folgas dos setoristas, mas queria fazer transmissões de jogos. Algo que só ocorreu tempos depois na TV Gazeta, onde ocupou também as funções de produtora e comentarista do programa “Mesa Redonda”.
Arquivo/Gazeta
“Naquele tempo não existiam mulheres que cobriam futebol. Por isso, não foi fácil para alguns homens assimilarem essa situação. Imagina então na hora de entrevistar os jogadores no vestiário. Como não havia sala de imprensa, os atletas atendiam os jornalistas enquanto tomavam banho e se vestiam. Eu tinha por norma falar com eles quando estivessem parcialmente vestidos. No entanto, certa vez o técnico Cilinho, após um jogo entre São Paulo e Coritiba, pediu que entrasse no vestiário junto com ele. Foi uma correria só. Apenas o Casagrande me atendeu pelado, sem colocar sequer uma toalha”.
Após passar rapidamente pela TV Record, Regiani voltou a Gazeta no início da década de 90, primeiro na TV e depois na rádio. “Em 1991, fui escolhida a melhor jornalista do ano em eleição do jornal “Unidade”, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Achei que tinha atingido o ápice da carreira, e pensei até em parar. Menos mal que segui com a profissão porque tive a chance de cobrir a Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos”.
Arquivo/Gazeta
Em 1996, um sério problema familiar tirou Regiani da mídia e a levou a um período de isolamento por quase 10 anos em uma chácara na Grande São Paulo. Passava o tempo plantando alface e cuidando das galinhas ao lado de poucos parentes. “Entrei em depressão. Mas felizmente o tempo passou e minha dor está cicatrizada”.