
A inconfundível e brilhante tonalidade laranja da nau holandesa se apagou em junho de 2012. A Holanda foi eliminada precocemente na fase de grupos da Eurocopa, após perder os seus três jogos. Bert van Marwijk, o homem que levara a seleção à final da África do Sul 2010, abandonou o navio após o fracasso. Estrelas como Arjen Robben e Robin van Persie estavam sob pressão. Diego Maradona era um dos que pediam a saída de ambos da Laranja.
Comandar a seleção holandesa parecia uma missão condenada ao fracasso. Frank de Boer, Ronald Koeman e Frank Rijkaard foram alguns dos que se negaram a assumi-la. Mas Louis van Gaal, o homem que não conseguira classificar a Holanda para a Copa do Mundo de 2002, jamais diria não a essa empreitada. “Eu estava louco por um desafio, e este é certamente um grande desafio”, comentou.
A dificuldade do trabalho ficou clara logo no seu primeiro jogo comandando a seleção. A Holanda, então oitava colocada no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, perdeu por 4 a 2 em Bruxelas, resultado que aumentou a sequência sem vitórias da seleção diante de sua maior rival e deu à Bélgica a superioridade no confronto direto entre ambas pela primeira vez em mais de quatro décadas.
Com o tempo, porém, Van Gaal conseguiu ajeitar a casa: a Holanda ficou 17 jogos invicta e conseguiu se classificar para a Copa do Mundo com a melhor campanha das eliminatórias europeias.
De repente, e surpreendentemente, ele alterou o sistema do clássico 4-3-3 (utilizado em toda a campanha rumo ao Brasil) para o 5-3-2. Se a medida causou polêmica, os resultados levantaram dúvidas sobre o futuro da seleção. Afinal, a Holanda ficou quatro jogos e seis meses sem vencer na preparação para a Copa do Mundo. A sequência incluiu um 2 a 2 com o Japão (a equipe saiu vencendo por 2 a 0), empates em 0 a 0 com a Colômbia e 1 a 1 com o Equador e uma derrota por 2 a 0 para a França.
Tais placares fizeram a Laranja despencar para o 15º lugar no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, a pior posição da seleção desde 2002. “Não introduzi este sistema para vencer amistosos”, explicou Van Gaal. “Fiz isso porque achei que não conseguiríamos vencer um grupo com Espanha, Chile e Austrália usando o 4-3-3”.
A subida
Com uma tática de forte marcação e ainda impulsionada em rápidos contra-ataques pelos experientes Robben, Sneijder, Dirk Kuyt e Robin van Persie, a Holanda não precisou de muito tempo para deixar a desconfiança para trás na Copa do Mundo da FIFA. No Brasil, a equipe não apenas conquistou a liderança do Grupo B como a fez causando grande impacto. De cara, aplicou uma goleada histórica por 5 a 1 sobre a então campeã Espanha antes de fechar a fase com 100% de aproveitamento após outros triunfos sobre Austrália e Chile.
Van Gaal demonstrou todo o seu conhecimento tático também nas oitavas de final. Perdendo para o México (cujo goleiro Guillermo Ochoa estava em fase inspiradíssima), o técnico de 62 anos mudou a equipe para o 4-3-3. A formação não funcionou, e o ex-comandante de Ajax, Barcelona e Bayern de Munique modificou de novo o esquema, desta vez para o 4-4-2, colocando no ataque Dirk Kuyt, que havia começado o jogo como ala esquerdo. A Holanda arrancou a virada nos minutos finais do jogo.
Van Gaal tomou outra decisão extremamente corajosa nas quartas de final. Segundos antes da decisão por pênaltis, trocou de goleiro: saiu Jasper Cillessen, entrou Tim Krul, que foi decisivo, defendendo duas cobranças da Costa Rica.
O sonho acabou nas semifinais, quando a Holanda de Van Gaal perdeu nos pênaltis para a Argentina. Porém, ela encerrou a Copa do Mundo em alta, derrotando o anfitrião Brasil por 3 a 0 na decisão do terceiro lugar. Pela primeira vez da história, a Laranja acabava o Mundial sem ser derrotada. O terceiro lugar também foi a colocação em que Van Gaal, novo técnico do Manchester United, deixou a Holanda no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola. Nada mal para uma seleção que chegou tão cheia de desconfianças e que estava 12 posições atrás antes do início da Copa do Mundo.
“Acho que, olhando para trás, fomos bem-sucedidos no Mundial”, analisa o treinador. “Talvez isso abra os olhos de todos na Holanda, para que se deem conta de que o 4-3-3 não é o único esquema capaz de trazer bons resultados. Prefiro utilizar as qualidades do elenco, e funcionou. Não fomos campeões, mas chegamos bem perto.”
Por falar em bem perto, a Holanda parou pertinho das líderes Alemanha e Argentina, que estão a 228 e 110 pontos à frente, respectivamente. Ou seja, nada impossível imaginar que o primeiro lugar do ranking – posição que ocupou por apenas um mês, em agosto de 2011 – pode ser novamente alcançada nos meses que se seguem.
E a tarefa de seguir evoluindo – e, de quebra, classificar a seleção para a Euro 2016 – caberá a outro ex-meio-campista, da mesma faixa etária de Van Gaal e que também viverá a sua segunda passagem pela Holanda. Guus Hiddink receberá do seu antecessor nomes novos, como Stefan de Vrij, Bruno Martins Indi, Joel Veltman, Terence Kongolo, Jordy Clasie, Georginio Wijnaldum e Memphis Depay. Jovens talentosos e que já possuem experiência de Copa do Mundo no currículo.
(FIFA.com)

















