Análise: com futebol ofensivo, Grêmio conquista hexa estadual e respalda time para o resto do ano
Depois de 33 anos, o Grêmio volta a ser hexacampeão gaúcho. O estilo ofensivo e de toque de bola respalda a equipe para o restante do ano. Mais do que isso. Renato não vê outro time no Brasil jogando melhor, entende que está no mesmo patamar dos principais concorrentes e quer medir forças no Brasileirão e Copa do Brasil.
O título deste sábado, após vitória por 1 a 0 sobre o Caxias, coroou o início da temporada de um clube que está em reconstrução após retorno para a Série A. O Grêmio de 2023 não lembra em nada o time que terminou 2022.
No ano passado, desde quando retornou ao clube, Renato sempre falou que o momento pedia resultado e não desempenho. Após troca na presidência e uma grande reformulação no elenco, o treinador conseguiu montar uma equipe que “voltou a encantar o Brasil”.
Um time ofensivo, vertical, que mantém a posse de bola e agride o adversário, principalmente jogando em casa. Foi assim que o Grêmio chegou ao hexacampeonato. No Gauchão, foram 11 vitórias, três empates e somente uma derrota. Na Arena, o aproveitamento foi de 100%.
Os números por si só demonstram a boa campanha do Tricolor. Mas, além disso, o futebol apresentado em campo foi satisfatório e, aos olhos do comandante, digno de se colocar como um dos melhores do Brasil ou, pelo menos, no mesmo nível das equipes de maior poderio econômico.
Não vejo nenhuma equipe na frente do Grêmio. Todo mundo no mesmo patamar.
— Renato Portaluppi, treinador do Grêmio
- Eu tenho visto muitos jogos, de todas as equipes. Com respeito a todas as equipes, hoje o Grêmio não está devendo para nenhuma equipe. Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG. Não fica devendo para nenhuma equipe. Vai começar o Brasileirão e Copa do Brasil, é outro patamar, mas o Grêmio também tem outro patamar. Vamos medir forças. Está todo mundo no mesmo nível, Grêmio não deve nada para as outras equipes – afirmou Renato.
Desde a primeira rodada, Renato usou o time principal no Campeonato Gaúcho. Apenas em alguns jogos fora de casa, na primeira fase, o treinador poupou os titulares e escalou a equipe reserva.
Essa foi a maneira que encontrou para estabelecer (ou trazer de volta) um estilo que já fez a torcida feliz há alguns anos. Um time com posse de bola e com DNA ofensivo. Renato usou o Gauchão para dar uma “cara” ao Grêmio e encontrar as necessidades para as principais competições no ano.
No estadual, você ajusta, vê onde precisa contratar, quais são as dificuldades. Quanto mais forte nas competições, melhor.
— Renato Portaluppi, técnico do Grêmio
O modelo de jogo está imposto. Ao longo do torneio, o Grêmio teve chegada de jogadores, mas também perdeu atletas, ora por lesão, ora por negociação, casos de Thaciano e Thiago Santos.
Por outro lado, na última semana, desembarcaram dois reforços em Porto Alegre: o atacante André Henrique e o meia Nathan. São contratações para suprir carências do grupo, visto que a equipe já tem uma maneira de jogar bem definida.
O Tricolor ainda tem ajustes a fazer. O principal deles, e ficou ainda mais evidente na reta final do Campeonato Gaúcho, é o aproveitamento ofensivo. Na fase mata-mata, a equipe de Renato teve muito volume de jogo, criou muitas oportunidades, mas mostrou dificuldade para balançar a rede.
Na grande final, aos 17 minutos do primeiro tempo, Suárez dominou cara a cara com o goleiro e bateu na trave. No início da partida, Villasanti tabelou com o Bitello dentro da área e perdeu uma grande chance ao chutar para fora. Talvez, esse seja o ponto a ser lapidado com urgência.
Acho que tem muitos pontos positivos. É uma análise que tem que ser feita com calma, a gente sabe que tem que melhorar alguns pontos se queremos brigar por coisas maiores no Brasileirão e Copa do Brasil. Mas esse é o caminho. É seguir evoluindo com vitórias e títulos que nos dão mais tranquilidade para seguir trabalhando – disse Bruno Alves ao ge ainda no gramado, após o título gaúcho.
A verdade é que, de forma geral, o Tricolor sobrou no Gauchão. Quando todos esperavam o Inter, do técnico Mano Menezes, estruturado após campanha de vice-líder no Brasileirão, foi o Grêmio em reconstrução que roubou a cena.
Na fase de mata-mata foram jogos equilibrados contra as equipes do interior. Tanto é verdade que no duelo de ida da semifinal, contra o Ypiranga, a equipe sofreu sua única derrota. No que seria o principal teste, ainda na primeira fase, o time de Renato venceu o Gre-Nal jogando melhor futebol.
É assim, estruturado, que o Grêmio vai para os próximos oito meses de 2023. Serão mais duas competições pela frente – uma delas já começou. Na próxima quinta-feira, o time volta a campo pela Copa do Brasil, diante do ABC. No fim de semana, estreia no Brasileirão, principal objetivo de Renato.
O mais importante é que o clube conseguiu aquilo que se espera de um campeonato estadual. Montou um time, estabeleceu um modelo de jogo, identificou as carências e fez uma análise de onde precisa melhorar para o resto da temporada. Além, é claro, de conquistar mais um título, o sexto consecutivo, e criar expectativa pelas competições nacionais.


















