O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) realiza nesta semana, até sábado, 28, o primeiro Camping Escolar para atletas de classes baixas (deficiências severas) na Vila Olímpica Parahyba, em João Pessoa (PB). O evento conta com 30 jovens de cinco estados (Paraíba, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão), com idades de 11 a 23 anos, nas modalidades atletismo e natação.
Tal como nas demais edições do Camping Escolar, a iniciativa tem o objetivo de levar os participantes a experimentar a rotina de atletas de alto rendimento durante uma semana. Neste período, os esportistas passam por duas sessões de treinamento por dia (das 8h às 10h e das 15h às 17h), realizam testes físicos e assistem a palestras de outros atletas e especialistas ligados ao paradesporto.
Nesta edição, os participantes do Camping vão conhecer o paraibano Petrúcio Ferreira, velocista tricampeão paralímpico e recordista mundial dos 100m, na classe T47 (deficiências em membros superiores). Ele irá conversar com os jovens atletas na quarta-feira, 25, a partir das 18 horas na Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad).
Já na manhã de quinta-feira, 25, o evento contará com a participação de José Antônio Freire, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), novamente na Funad.
Segundo Ramon Pereira, diretor de Desenvolvimento Esportivo do CPB, o investimento no desenvolvimento de atletas das classes mais baixas tem o potencial de fortalecer as delegações brasileiras em Mundiais e em Jogos Paralímpicos, tendo como alvo os Jogos de Brisbane 2032.
“O Brasil apresenta ainda uma vacância de atletas de alto rendimento em algumas dessas classes. Por isso, estamos começando este trabalho, buscando identificar novos talentos e ocupar as vagas onde não estamos bem representados”, explicou.
Segundo Ramon, a conscientização dos familiares responsáveis pelos jovens com deficiências severas sobre os benefícios do esporte para eles é o maior desafio do CPB para formar novos esportistas.
“Fazer uma atividade física melhora a rotina e a qualidade de vida de todos. Essa oportunidade deve estar disponível para cada vez mais jovens. Muitos se desenvolverem até o ponto de se tornarem atletas paralímpicos será uma segunda etapa natural do aumento do número de praticantes de esporte”, afirmou.
Dois exemplos de atletas de classes baixas que obtiveram resultados expressivos para o Brasil são o nadador mineiro Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, da classe S2 (comprometimento físico-motor), dono de cinco medalhas de ouro e uma de prata em Jogos Paralímpicos; e a lançadora paulista Beth Gomes, da classe F53 (atletas que competem sentados), bicampeã paralímpica do lançamento de disco, em Tóquio 2020 e Paris 2024.
O CPB buscou compor a lista de selecionados para o Camping em João Pessoa com atletas da natação classificados como S1, S2, S3 e S4, entre aquelas para esportistas com limitações físico-motoras, e como S11, para atletas com deficiência visual. No atletismo, foram considerados esportistas da classe T11, para cegos, e das classes T31 e T32 (lesões encefálicas), T51, T52 e T53 (competem em cadeira de rodas) e T71 e T72 (com comprometimentos graves de coordenação motora e que competem na petra).
Haverá ainda uma segunda edição do Camping para classes baixas em agosto deste ano, em Goiânia (GO).
Camping Escolar Paralímpico
O Camping Escolar Paralímpico é idealizado e realizado pelo CPB desde 2018 e tem como objetivo proporcionar a jovens atletas selecionados a partir das Paralimpíadas Escolares o primeiro contato com a rotina de um atleta de alto rendimento.
Além dos dois camping para atletas das classes baixas, o evento conta com outras sete edições ao longo de 2026. São duas nacionais, a primeira realizada em janeiro e a segunda prevista para 12 a 17 de julho. Ainda serão realizadas outras cinco edições regionais do evento, tal como em 2025.


















