Em nota oficial, publicada na noite deste domingo em seu site oficial, a CBF – Confederação Brasileira de Futebol, pediu punições rigorosas para os casos que ocorreram na Ilha do Retiro e Castelão, quando torcedores invadiram os gramados para agredir jogadores. As invasões ocorreram em jogos da Série B (Sport x Vasco) e Série A do Brasileirão (Ceará x Cuiabá), respectivamente, competições estas organizadas pela CBF.
“A entidade acredita que atos como esses afastam dos estádios os verdadeiros torcedores e as famílias, os patrocinadores e a boa imagem do futebol num mundo que busca hoje novos horizontes. A CBF aguarda que o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) atue com o rigor necessário para banir os responsáveis pelas cenas chocantes ocorridas justamente no ano em que o futebol brasileiro tem muito a comemorar com os estádios lotados e os campeonatos sendo organizados com êxito nas quatro divisões. A entidade aguarda também sanções severas na esfera criminal”, escreveu no comunicado.
“Estamos indignados com as imagens que vimos hoje nas duas partidas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, competições com números recordes de participação popular nos estádios e que está sendo marcado pelo retorno das famílias. Esperamos que o STJD tome posições duras. Nos colocamos no lugar dos pais daquela criança desmaiada em Fortaleza. Nós aguardamos que punições drásticas sejam tomadas pelo tribunal. O futebol brasileiro não tem mais espaço para a violência e o retrocesso”, afirmou o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, em seu comunicado na nota oficial.
No site da CBF, até 1h30 da manhã de segunda-feira a súmula de Sport Recife e Vasco não havia sido publicada. Já o documento oficial de Ceará x Cuiabá foi publicado. Nele o árbitro Caio Max Augusto Vieira, do Rio Grande do Norte, informou o seguinte: “Informo que aos 49 minutos do segundo tempo, após a confirmação do gol da equipe do Ceará, pela equipe de arbitragem e antes do jogo ser reiniciado foi observado uma briga generalizada entre torcedores da equipe mandante no anel superior da arquibancada situado à esquerda das cabines de transmissão, atrás da meta da equipe Cuiabá, com arremesso de assento das cadeiras uns nos outros. inclusive atingindo pessoas no anel inferior, na qual as mesmas adentraram ao gramado com o objetivo de se refugiar da briga. Em seguida houve o som de disparos da polícia para conter e dissipar a confusão no anel superior, em virtude disso as pessoas que se encontravam no anel inferior, adentraram em massa no campo de jogo, com o objetivo de refúgio da confusão”, informou.
“Porém alguns torcedores tentaram agredir jogadores da equipe Ceará, onde os mesmos correram em direção ao túnel de acesso aos vestiários, como também a equipe visitante e a equipe de arbitragem junto com o policiamento, com o objetivo de resguardar a integridade física de todos. em seguida após alguns minutos pedi que as equipes retornassem aos vestiários com o objetivo de preservar sua integridade e me dirigi ao meu vestiário, após 11 minutos do início da invasão, entrei em contato com o comandante geral do policiamento Sr. Eduardo Souza Landim, tenente/coronel do Batalhão BP Choque, que não me deu garantia de segurança para reiniciar a partida. Após 13 minutos do início da invasão, decidi dar por encerrado a partida, por entender que não haveria garantia de segurança para o reinício da partida, pois haveria ainda 7 minutos por jogar referente ao restante do acréscimo do segundo tempo”, disse o árbitro sobre o momento mais tenso do jogo.
“Informo que ambas as equipes demonstraram não ter condições emocionais para continuar a partida. Em seguida, no túnel de acesso, informei aos ambos representantes das equipes a minha decisão e os motivos acima citados. Devido a fuga para o túnel de acesso de toda a equipe de arbitragem, não foi possível visualizar qualquer outro incidente que possa ter ocorrido no campo de jogo durante a invasão. Informo também que durante a fuga para o túnel de acesso da equipe de arbitragem, a comunicação foi perdida com a cabine do var, devido aos funcionários da empresa responsável (Hawkeye) retirar o equipamento do gramado com o receio de serem destruídos, essa informação foi repassada pelo Sr. Marcos, funcionário da empresa prestadora de serviço após os incidentes”, completou Caio Max.
O STJD já divulgou nota sobre o que ocorreu, e somente espera a chegada das súmulas na entidade, para começar a apurar o que ocorreu e quais sanções pode aplicar. “O órgão informa que aguarda o recebimento das súmulas das partidas para, juntamente com vídeos e demais documentos, analisar as infrações previstas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva e ressalta ainda que medidas enérgicas serão tomadas para que não aconteçam mais episódios de violências no futebol brasileiro”, escreveu.
“A Procuradoria agirá com rigor em todos os casos de violência nos estádios de futebol. Pais e todas as pessoas de bem precisam se sentir seguros em qualquer jogo de futebol no Brasil e vamos lutar para que seja essa a realidade”, afirmou o procurador-geral Ronaldo Piacente, do STJD.


















