O empate na segunda rodada sem gols com o México fez com que muitos torcedores ficassem preocupados. Contudo, se for levado em conta apenas a história e não o futebol apresentado, não há motivo para desespero. Em outras duas ocasiões, 1958 e 1962, o Brasil venceu o primeiro jogo, empatou o segundo e na sequência foi campeão mundial.
Essas histórias estão narradas na obra Deuses da Bola – 100 Anos da Seleção Brasileira, de João Carlos Assumpção e Eugenio Goussinsky. Em 1958, a seleção brasileira venceu no jogo de abertura contra a Áustria e, na segunda rodada, empatou em 0 x 0 com a Inglaterra. O final dessa história, todo mundo conhece: Brasil campeão mundial pela primeira vez, encantando o mundo.
Já em 62, na estreia do Mundial contra o México, a Seleção venceu por 2 × 0. O grande susto aconteceu na segunda rodada, contra a forte Tchecoslováquia, do meia Masopust, dos atacantes Pospischal, Scherer e Jelinek, e do goleiro Schroif. Pelé, ao desferir um chute distendeu o músculo da coxa direita. Como a substituição ainda não era permitida naquela Copa, Pelé permaneceu encostado na ponta esquerda, apenas fazendo número. Valeu o fair-play, já que os tchecos, percebendo o drama do atacante brasileiro, nãoo tentaram desarmá-lo. O placar de 0 × 0 contentou os dois times.
O próximo jogo da seleção, nessa copa de 2014 no Brasil, é contra o Camarões. Será que podemos esperar também uma vitória, com alegria e bom futebol de Neymar e Fred? Esperamos que sim, e que o Brasil, como em 58 e 64, continue a trajetória d econquista.
Sobre o lançamento e a obra
Com prefácio escrito pelo renomado maestro João Carlos Martins, que compara o futebol à música. Deuses da Bola – 100 Anos da Seleção Brasileira traz uma coletânea raríssima dos momentos mais marcantes dentro e fora de campo, com foco no “caso de amor” entre a Seleção e o povo brasileiro. Uma viagem no tempo e um registro para se ter à mão, ainda mais neste ano de Copa do Mundo, quase como um amuleto.
A riqueza de informações e curiosidades reunidas no livro é tão grande que, ao passar por cada uma das páginas, a sensação é de estar lendo um romance ou livro de contos cheio de personagens e aventuras, não uma história real. Ao mesmo tempo, entretanto, a precisão do resgate histórico é garantida pela ampla e cuidadosa pesquisa realizada pelos autores para a concepção da obra.
A narrativa vai do primeiro jogo do time em 1914 até a era atual do futebol como “business” e a recente goleada contra a África do Sul, em 2014, passando por momentos emblemáticos como a derrota no Mundial de 1950, a conquista do tri no México em 1970 e o chute para fora de Roberto Baggio na conquista do tetra em 1994, contando também um pouco da História do país. Fala ainda do surgimento de deuses como Garrincha, Pelé e Zico, que marcaram época e contribuíram para mudar a imagem do esporte brasileiro no exterior, até os mais recentes, como Romário, Ronaldo e Neymar.
“Nossa entrada no segmento de não-ficção não poderia acontecer num momento mais propício. Estrear com os 100 anos da Seleção em ano de Copa do Mundo é fantástico – embora nossa história com o futebol seja tão incrível, tão cheia de dramas, emoções e peripécias que, no fundo, pareça uma linda ficção”, enfatiza a diretora editorial Simone Paulino.
Sobre os autores
Eugenio Goussinsky é jornalista e escritor premiado. Publicou cinco livros, dois deles de contos e crônicas. Redator do site R7, da Rede Record, foi repórter do Jornal do Brasil e de O Estado de S. Paulo, porta-voz do Consulado de Israel na capital paulista e assessor de imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
João Carlos Assumpção é jornalista e documentarista. Cobriu cinco Copas do Mundo e três Olimpíadas in loco. Colunista do diário Lance!, foi repórter da Folha de S. Paulo, correspondente do jornal em Nova York e chefe de redação e reportagem do SporTV em São Paulo. É codiretor do longa-metragem Sobre futebol e barreiras, filmado durante a Copa de 2010 em Israel/Palestina.

















