E se o Nordeste virasse um país, como seria a sua seleção? - SóEsporte
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E se o Nordeste virasse um país, como seria a sua seleção?

Britain Soccer Europa LeagueApós as eleições de 2014, houve uma cisão no Brasil. As elites do sul e sudeste, inconformadas com o resultado da eleição, culparam o nordeste pelos acontecimentos e o clima beligerante tomou conta do país, chegando às raias da guerra civil. Para contornar a situação, a presidenta Dilma Roussef teve de modificar a constituição e abrir consulta popular aos nordestinos, perguntando se estes queriam a separação do país. O “sim” ganhou por esmagadora maioria. Estava formada a União das Repúblicas Socialistas dos Agrestes, a URSA.

Os coronéis oligarcas foram desterrados para Brasília; a bandeira de renascença, branca, com a foice e a peixeira cruzadas, representando o sertanejo e a valentia, tremula forte; o hino escolhido é “Asa Branca”, e a moeda é o Gonzaga, cujos centavos são os Gonzaguinhas. Um real atualmente vale setenta e dois gonzaguinhas. A economia, em que pese não receber repasses do governo brasileiro, se estabilizou com o petróleo, o sal, o turismo e a tapioca. Ainda hoje a Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro requer reconhecimento de ser um enclave da URSA no Brasil, como Kaliningrado. O objetivo deste texto, entretanto, não é analisar a geopolítica da URSA, e sim seus aspectos desportivos.

A Conmebol e a Fifa, a princípio, não queriam a URSA como membros. Mas o torneio – a Lampions League – nasceu como um estrondoso sucesso. Com a média de público sendo o triplo do Campeonato Brasileiro, Bahia, Vitória, Santa Cruz, Sport, Náutico, Fortaleza, Ceará, Icasa, Sampaio Correa, Flamengo-PI, Confiança, Treze, Campinense, ABC, América, CRB, ASA, Salgueiro e Sergipe deram um show de público. A eles se juntaram Remo e Paysandu, que se sentiam desprestigiados no Brasil e jogavam na URSA assim como o Monaco joga no campeonato francês.

Assim, as entidades tiveram de voltar atrás e admitir o novo membro. Em contrapartida, a URSA fez dois pedidos, prontamente aceitos: quatro vagas na Libertadores da América e inscirção imediata nas eliminatórias. Todos de acordo, começaram os preparativos. O presidente da federação, eleito por aclamação, foi Juninho Pernambucano, que entendia do riscado e era articulado. O uniforme da seleção era todo branco, com a foice e peixeira em vermelho de distintivo e o escrito “URSA” no torso. O técnico contratado por Juninho foi o baiano Cristóvão Borges – o Mourinho Afro.

O primeiro jogo da URSA foi um amistoso marcado – em tom de provocação, talvez – contra a bolivariana Venezuela. Cristóvão ligou pessoalmente para cada jogador, que poderia defender o novo país ou preferir continuar defendendo o Brasil ou nações de origem. Todos aceitaram o convite, e a lista dos primeiros 23 convocados ficou assim:

Goleiros: Tiago Cardoso [Santa Cruz-URSA], Dida – mesmo com 90 anos [Inter-BRA] e Márcio [Atlético Goianiense – BRA];

Laterais: Dani Alves [Barcelona-ESP], Mariano [Bordeaux-FRA], Wendell [Grêmio-BRA] e Chiquinho [Fluminense-BRA];

Zagueiros: Pepe [Real Madrid-ESP], Dante [Bayern de Munique-ALE], Wallace [Flamengo-BRA] e Manoel [Cruzeiro-BRA];

Volantes: Hernanes [Internazionale-ITA], Rômulo [Spartak Moscou-RUS] e Jonas [Sampaio Correa-URSA];

Meias: Anderson Talisca [Benfica-POR], Gabriel [Flamengo-BRA], Roberto Firmino [Hoffenheim-ALE], Flávio Caça-Rato [Santa Cruz-URSA];

Atacantes: Hulk [Zenit-RUS], Chicharito Hernane [Al-Nassr-SAU], Diego Costa [Chelsea-ING], Elkeson [Guanghzou-CHN] e Neto Baiano [Sport-URSA]

Causou surpresa na imprensa internacional as deserções de Pepe e Diego Costa das seleções de Portugal e Espanha, ao passo que todos os jogadores da URSA que defenderam o Brasil anteriormente ressaltaram seu orgulho em servir ao novo país. O primeiro amistoso foi auspicioso, com uma vitória por 4 a 0 na Arena Frei Caneca, antiga Arena Pernambuco, com dois gols de Hulk, um de Hernanes de falta e um de Talisca, apelidado carinhosamente de Neymar com Dendê. Assim, o novo país se considerava pronto para encarar as eliminatórias, o que iremos acompanhar em breve. Aguarde os próximos capítulos.

*Arthur Chrispin é carioca, mas tornou-se nordestino por adoção vivendo no Recife. É autor do blog Cotidiano e outras drogas, onde escreve crônicas do cotidiano.

Por Arthur Chrispin*

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