Evolução nos fundamentos é chave do sucesso do Brasil na Liga das Nações: “Time joga bem”
As quartas de final da Liga das Nações (VNL) feminina de vôlei começarão com as atenções voltadas para o Brasil. Em busca de um título inédito, a seleção fez a melhor campanha da história da fase classificatória do torneio, com 12 vitórias e nenhuma derrota. Números bem diferentes dos registrados na edição de 2023, por exemplo, quando as comandadas de Zé Roberto Guimarães somaram oito resultados positivos e quatro negativos.
De acordo com Zé, técnico da seleção feminina desde 2003, o bom desempenho visto nos jogos recentes é justificado pela evolução do Brasil em diferentes fundamentos:
– Mais do que vencer, o importante é ver que o time joga bem. Está com sincronismo na relação entre bloqueio e defesa. O sistema defensivo tem funcionado, nosso saque melhorou muito também. Consequentemente, temos evoluído nos contra-ataques. Precisamos continuar com foco, atenção, carinho nos fundamentos. Isso engrandece a equipe. Se nos mantivermos dessa maneira, devemos melhorar cada vez mais.
O Brasil enfrentará a Tailândia nas quartas de final da VNL, nesta quinta (20), às 10h30 (de Brasília). O sportv2 transmitirá, e o ge acompanhará em tempo real.
A visão positiva de Zé é compartilhada por Gabi. A ponteira de 30 anos exerce o papel de capitã e despontou como grande destaque ofensivo do Brasil na fase classificatória. Marcou 169 pontos – sexta melhor marca do torneio até agora. Mas também apareceu bem nas defesas e na recepção.
Festejada por torcedores tailandeses em Bangkok, palco das finais da VNL feminina, Gabi valorizou a campanha brasileira na fase classificatória e exaltou a postura da seleção nas 12 vitórias conquistadas:
– Deu muita confiança enfrentar as grandes seleções e jogar de igual para igual. Nossa tônica da primeira fase foi a agressividade do saque. Também a energia o tempo inteiro, a comunicação. Estamos há praticamente um mês e meio juntas, viajando nas últimas semanas. Esse trabalho de comunicação, entender o que precisa ser feito e o olhar da comissão técnica são diferenciais.
Depois de Gabi, Ana Cristina é a maior pontuadora do Brasil na Liga das Nações feminina, com 143 pontos. As duas aparecem entre as 15 melhores no quesito entre todas as atletas do torneio. Um feito que chama atenção de Fabi, bicampeã olímpica (2008 e 2012) e comentarista do sportv:
– Pelo que vimos no geral, a seleção brasileira buscou o equilíbrio. As atletas já sabem como o time se comporta. Não lembro de uma competição em que o Brasil tenha duas jogadoras entre as principais pontuadoras, como Ana Cristina e Gabi agora. A Carol, para variar, lidera em bloqueios. Também temos destaques no saque. A equipe conseguiu evoluir e se tornou agressiva.
Citada por Fabi, Carol tem 33 bloqueios na VNL, mesmo número da sérvia Kurtagic e mais do que todas as outras jogadoras. A central brasileira já tinha liderado o ranking do fundamento na edição de 2022, por exemplo.
No saque, os principais nomes do Brasil neste ano são Roberta, Ana Cristina e Júlia Bergmann, com 11 pontos cada.
Nalbert, campeão olímpico em Atenas (2004) e também comentarista do sportv, ressaltou ainda a importância de Rosamaria para a boa campanha do Brasil. Convocada na posição de ponteira, ela tem jogado como oposta e aparecido bem no ataque. É a terceira maior pontuadora da seleção, com 130 pontos – 14 deles marcados contra a Turquia, na última rodada da fase classificatória.
– O que tem sido, para mim, uma melhora em relação às edições anteriores é o nosso poder de ataque, por causa de duas peças. Rosamaria está muito bem, virando bola com tranquilidade, desafogando um pouco e evitando o que era calcanhar de Aquiles nos últimos anos: um jogo totalmente dependente da Gabi. E a Ana Cristina é uma grande atacante por natureza. A distribuição ofensiva e um poderio maior de ataque facilitaram muito o desempenho do Brasil – avaliou Nalbert.
Ainda há o que melhorar
Mesmo que a campanha na fase classificatória tenha sido histórica, Gabi prega cautela. A capitã do Brasil disse que o trabalho não pode se basear só nos números positivos e apontou “altos e baixos” vividos pela seleção no decorrer das partidas.
As declarações da ponteira ganham amparo na análise da campanha jogo a jogo. Se conseguiu bater grandes rivais, como Turquia, Itália e Estados Unidos, o Brasil também passou por momentos complicados diante de adversários mais fracos. Contra a Alemanha, por exemplo, a seleção verde e amarela abriu 2 a 0, mas perdeu o terceiro set e só venceu o quarto por 26 a 24, depois de desperdiçar uma ampla vantagem no placar.
– O que pode melhorar? Tudo! Fisicamente, o Brasil ainda pode e vai evoluir para as finais da VNL e para as Olimpíadas, porque todo o trabalho visa a chegar ao ápice nesses momentos. E certamente ainda é possível jogar com um pouco mais de agressividade, intensidade, volume de jogo. É normal que os times tenham altos e baixos, muitas oscilações. Quanto menos o Brasil tiver, melhor – opinou Nalbert.
Brasil conhece rivais das Olimpíadas no vôlei feminino; veja grupos
O Brasil conheceu nesta quarta-feira os rivais da primeira fase do torneio feminino de vôlei das Olimpíadas. Enquanto as brasileiras treinavam para a fase final da Liga das Nações, foi realizado um sorteio em Bangkok que definiram as chaves dos Jogos de Paris. Líder do ranking mundial, o Brasil foi cabeça de chave e ficou no Grupo B, junto com Polônia, Japão e Quênia, e escapou do grupo da morte.
Veja os grupos do vôlei feminino nas Olimpíadas
Grupo A – França, Estados Unidos, China e Sérvia
Grupo B – Brasil, Polônia, Japão e Quênia
Grupo C – Itália, Turquia, Holanda e República Dominicana
O Brasil venceu a Polônia e o Japão recentemente na fase classificatória da Liga das Nações. As comandadas do técnico José Roberto Guimarães, aliás, conquistaram a classificação olímpica em um duelo com as japonesas no pré-olímpico de Tóquio, no ano passado. O Quênia, guiado pelo técnico brasileiro Luizomar de Moura, é a seleção com pior ranking entre as garantidas nos Jogos de Paris – ocupa o 20º posto.
- Acho que estamos muito focadas. A gente tem dois times muito fortes. O Japão sempre tira nosso sangue, tem sido jogos muito difíceis. A Polônia vem ganhando de todo mundo, fazendo grandes partidas com jogadoras muito eficientes e muito constantes. O Quênia é um pouco mais abaixo do nível dessas duas equipes. As meninas estão muito focadas. Até errepio, porque a gente tá muito determinada. Sabemos o que queremos – analisou Thaísa.
Anfitriã, a França foi cabeça de chave do grupo considerado o mais forte. Vai encarar a equipe dos Estados Unidos (atual campeã olímpica) e a da Sérvia (atual campeã mundial). A China, atual vice-campeã da Liga das Nações, completa a chave.
Vice-líder do ranking mundial, a Itália também não vai ter vida fácil. Foi cabeça de chave em um grupo com a Turquia (atual campeã da Liga das Nações), Holanda e República Dominicana.
Brasil, República Dominicana, Sérvia, Turquia, Estados Unidos e Polônia garantiram vagas nos Jogos por meio dos Pré-Olímpicos disputados no ano passado. A fase classificatória da Liga das Nações de 2024 carimbou o passaporte de outras quatro equipes: Itália, Japão, China e Holanda. A França estará presente por ser sede das Olimpíadas, e o Quênia, devido ao critério da universalidade, ganhou a chance de representar a África em Paris.
Formato das Olimpíadas
Pela primeira vez, as Olimpíadas terão três grupos, com quatro seleções (tanto no naipe feminino, quanto no masculino). As duas primeiras colocadas de cada chave avançarão às quartas de final, assim como as duas melhores terceiras. Até Tóquio, o formato era diferente. As 12 equipes ficavam divididas em só dois grupos, e os quatro melhores de cada chave passavam de fase.
Prata nas Olimpíadas de 2021, o Brasil chegará a Paris como um dos candidatos ao ouro. Em 2024, a seleção verde-amarela fez a melhor campanha da história da fase classificatória da Liga das Nações, com 12 vitórias e nenhuma derrota. O desempenho reconduziu a equipe à liderança do ranking mundial e garantiu a classificação para a fase final da VNL. Na quinta-feira (20), as comandadas de Zé Roberto Guimarães enfrentarão a Tailândia nas quartas.
Por falar em Zé, o técnico é o único brasileiro tricampeão nas Olimpíadas. Além de levar a seleção feminina ao ouro em 2008 e 2012, ele também comandou o time masculino na conquista da medalha dourada em 1992.
Entre as jogadoras, só Thaísa participou das conquistas em Pequim e Londres e ainda defende a seleção brasileira. A central já comentou a preparação para buscar o tri olímpico:
– Atleta de alta performance vai buscar desafios mais difíceis. Eu sempre fui assim. No treino, no jogo, quero fazer algo a mais, que me puxa. Caso alguém não tenha essa motivação pensando em Olimpíadas, está no lugar errado. Se você sonha com o ouro, dá 200%. Não tem como fazer menos do que isso, porque é um campeonato diferenciado. Se não for assim, é difícil de ganhar.
Lista das seleções femininas com mais ouros olímpicos no vôlei:
União Soviética – 4
China e Cuba – 3
Brasil e Japão – 2
Estados Unidos – 1


















