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Futebol, esse gênio enganador

A busca pela Verdade é uma das obsessões dos seres humanos. Há mais de 2.000 anos busca-se estabelecer um único ponto que se demonstre como inquestionável. O Futebol, neste ponto, não é diferente da Filosofia. Morrerão os homens tentando compreender seu destino, morrerão torcedores e comentaristas tentando compreender o futebol. Afinal, se se encontrasse uma Verdade, seria apenas 22 homens correndo atrás de uma bola, tentando passar por um retângulo. Salve Leicester! Salve Islândia! Que nos salvam da Verdade.


A lógica matemática não encontra fundamento quando o assunto é o futebolA lógica matemática não encontra fundamento quando o assunto é o futebol

A busca pela Verdade é uma das obsessões dos seres humanos. Há mais de 2.000 anos busca-se estabelecer um único ponto que se demonstre como inquestionável. O Futebol, neste ponto, não é diferente da Filosofia.

O filósofo Descartes, no século XVII, em seu “Discurso do Método”, tratou de sua incursão em busca da Verdade. Para isso, partiu do princípio (premissa) de que tudo aquilo que poderia despertar dúvida não deveria ser tomado como uma verdade absoluta.

No limite do pensamento em busca da Verdade, Descartes chegou ao ponto de considerar que possa haver um “gênio enganador todo poderoso”, que nos ludibria sistematicamente, fazendo-nos acreditar em uma realidade que só existe em nossa mente, longe de ser exata e matemática.

No futebol, a busca pela Verdade, também é constante e materializa-se antes – e depois – de cada rodada do campeonato.

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Descartes, no século XVII, tentou estabelecer uma Verdade Absoluta no mundo.

Comentaristas, torcedores e outros atores do mundo da bola alicerçam suas análises, considerando o histórico dos técnicos, a qualidade e a fase dos jogadores, a formação dos times, as atuações na rodada anterior. São todos movimentos para tentar definir as verdades da bola: quem é o favorito, o jogador que será o craque do torneio, o time que joga de forma mais convincente, o melhor técnico, etc.

Mas a Verdades do futebol, assim como na vida, são incompletas, mutáveis e também estão sobre a regência de um “gênio enganador todo poderoso”, ou simplesmente, no dialeto da bola, o “Sobrenatural de Almeida”, de Nelson Rodrigues, que nos enganam a cada rodada, que quebra prognósticos, que desmonta projeções, que nos esfrega na face que o futebol é apaixonante porque não se constrói na lógica.

Por ser um jogo que depende da ação humana e sua incompletude, por isso no futebol nem sempre o time mais rico vence o campeonato, o que reúne um maior número de craques é o favorito ao título, o clube com mais tradição já entra em campo derrotando o de menor expressão.

Prova da falta de uma Verdade absoluta e de que o futebol, no fundo, antes de acontecer a rodada, só existe enquanto pensamento e idealismo, são os casos do Leicester vencer a poderosa Premier Ligue; a Islândia derrubar a Inglaterra, na Eurocopa; o Santo André ser campeão da Copa do Brasil sobre o Flamengo, em pleno Maracanã; o Ituano bater o Santos e ser o campeão paulista; a Inter de Limeira derrotar o Palmeiras, pelo Paulista de 86; a nossa Seleção tomar 7 a 1 em casa, em plena Copa do Mundo, a recente eliminação da Copa América, em um grupo composto por Peru e Haiti; entre tantos outros exemplos que provam que o ser humano é incapaz de estabelecer uma Verdade no universo da bola.

Morrerão os homens tentando compreender seu destino, morrerão torcedores e comentaristas tentando compreender o futebol. Afinal, se se encontrassem uma Verdade, seriam apenas 22 homens correndo atrás de uma bola, tentando passar por um retângulo. Salve Leicester! Salve Islândia! Que nos salvam da Verdade, pois, não fosse a incompreensão, o que seriam do futebol e da vida?

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