A sequência de cortes por lesão na Seleção Brasileira nos últimos dias trouxe à tona o desgaste físico ocasionado pelo futebol de alto rendimento. Em meio aos testes finais antes da Copa do Mundo, o técnico Carlo Ancelotti perdeu três peças importantes do time. O zagueiro Gabriel Magalhães foi cortado da seleção nesta segunda devido a dores intensas no joelho. Alex Sandro e Alisson também foram afastados por motivos físicos na semana passada.
O futebol moderno, marcado por calendários intensos e alta exigência física tem ampliado a incidência de lesões mesmo entre atletas de elite. Segundo Dr. Lúcio Gusmão, médico especialista em dor e fundador da Rede CADE, mais do que episódios isolados, os cortes recentes evidenciam um padrão que impacta o desempenho das equipes e a longevidade dos jogadores nos gramados.
“Um ponto crítico no futebol e no esporte de alta performance é o impacto das lesões músculo-esqueléticas na performance, principalmente dentro do planejamento esportivo. A Seleção Brasileira está chegando na reta final e já perde muitos atletas, pois a equipe médica parece menos atenta a prevenção de lesões, que tem que ser pensada com avaliação recorrente do estado físico dos jogadores”, comenta Dr. Lúcio.
O lateral-esquerdo Alex Sandro sofreu problema muscular na região posterior da coxa, um dos tipos de lesão mais recorrentes no futebol e geralmente associado à explosões, e sobrecarga acumulada. Já o meio-campista Alisson apresentou um desconforto muscular, o que indica, de acordo com o especialista, fadiga e risco aumentado de uma lesão mais séria caso não haja o devido tempo de recuperação.
“Hoje já contamos com recursos como a termografia, um exame amplamente utilizado em clubes de alta performance, que permite identificar alterações antes mesmo da lesão acontecer. Assim, realiza-se a retirada temporária do atleta de competições para não afetar o desempenho do time a longo prazo”, detalha.
No futebol, as lesões acompanham a própria dinâmica do jogo: arranques, desacelerações bruscas, mudanças de direção e impacto físico constante fazem com que músculos e articulações sejam levados ao limite com frequência. Entre os quadros mais recorrentes estão as lesões musculares na coxa, especialmente na região posterior, além de problemas ligamentares no joelho, como as lesões do ligamento cruzado anterior, e inflamações articulares que surgem a partir de sobrecarga.
“São comuns entorses de tornozelo e dores relacionadas ao desgaste acumulado ao longo da bateria de jogos. Usa-se, então, uma medicina de precisão, com análise individualizada da biomecânica, da carga de treino e do perfil inflamatório de cada atleta. Isso permite entender suas particularidades física e atentar a prevenção de problemas em seus pontos fracos”, explica Dr. Lúcio Gusmão.
Medicina regenerativa avança como aliada na recuperação
Diante deste cenário, a medicina regenerativa vem ganhando espaço como uma alternativa mais moderna no tratamento de lesões esportivas. A proposta é atuar diretamente na regeneração biológica dos tecidos afetados, ao potencializar de maneira estratégica a recuperação natural do próprio organismo.
O médico aponta que modelo tradicional, baseado em repouso e fisioterapia é muito importante, mas pode ser potencializado e ter seu tempo reduzido com o uso da medicina regenerativa. Em um contexto de seleção com diversos jogos em sequência ela entra como um auxiliador importante.
“Quando falamos em medicina regenerativa, podemos utilizar terapias como o PRP, o plasma rico em plaquetas, além de aspirado de medula óssea e células derivadas da gordura, todos com potencial regenerativo. Essas técnicas permitem que lesões cicatrizem com mais facilidade, o que gera consequentemente um retorno mais rápido aos gramados”, afirma Dr. Lúcio.
Para Dr. Lúcio, o aumento das lesões no futebol de alto rendimento deve continuar nos próximos anos, devido tanto à contínua intensificação do calendário de partidas, quanto ao modelo de tratamento vigente da Seleção Brasileira.
“É importante ressaltar que, esse modelo de jogos precisa ser revisto. Se diversos jogadores numa mesma equipe sofrem tantas lesões seguidas, é sinal de que o problema não é apenas físico, mas também de um modelo de negócios que exige uma demanda física desproporcional, e também com uma equipe de apoio que não sinaliza os devidos cuidados preventivos”, conclui o CEO da Rede CADE.
De Davi Gonçalves Goulart


















