Máfias da loteria e do apito: o que aconteceu nos outros escândalos de manipulação no Brasil - SóEsporte
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Máfias da loteria e do apito: o que aconteceu nos outros escândalos de manipulação no Brasil

Máfias da loteria e do apito: o que aconteceu nos outros escândalos de manipulação no Brasil

O escândalo das apostas esportivas caiu como uma bomba no futebol brasileiro. A investigação tocada pelo Ministério Público de Goiás trouxe informações sobre o envolvimento de atletas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro em um esquema de manipulação em jogos ocorridos no ano passado. Casos como esse, no entanto, não são novidade no país. 

Há pouco mais de quatro décadas, o Brasil teve seu primeiro grande caso de corrupção no futebol envolvendo jogadores, árbitros, dirigentes e apostadores. Mais recentemente, em 2005, o escândalo conhecido como Máfia do Apito fez com que partidas do Brasileirão tivessem de ser remarcadas. 

Entenda abaixo o que aconteceu nos dois casos:

A Máfia do Apito 

Há 17 anos, em setembro de 2005, a revista “Veja” trouxe à tona o estreitamento da relação de alguns árbitros de futebol, sendo Edilson Pereira de Carvalho o principal deles, com apostadores. O objetivo era manipular resultados da Série A do Brasileirão para benefício financeiro dos envolvidos. 

Após a denúncia e a investigação do caso, o STJD (Superior Tribunal de Justiça) comunicou a anulação e a consequente remarcação de 11 partidas daquele ano. 

Veja os jogos remarcados e como ficaram os resultados:

Vasco 0 x 1 Botafogo (Vasco 1 x 0 Botafogo)

Ponte Preta 1 x 0 São Paulo (Ponte Preta 2 x 0 São Paulo)

Paysandu 1 x 2 Cruzeiro (Paysandu 4 x 1 Cruzeiro)

Juventude 1 x 4 Figueirense (Juventude 2 x 2 Figueirense)

Santos 4 x 2 Corinthians (Santos 2 x 3 Corinthians)

Vasco 2 x 1 Figueirense (Vasco 3 x 3 Figueirense)

Cruzeiro 4 x 1 Botafogo (Cruzeiro 2 x 2 Botafogo)

Juventude 2 x 0 Fluminense (Juventude 3 x 4 Fluminense)

Internacional 3 x 2 Coritiba (Internacional 3 x 2 Coritiba)

São Paulo 3 x 2 Corinthians (São Paulo 1 x 1 Corinthians)

Fluminense 3 x 0 Brasiliense (Fluminense 1 x 1 Brasiliense)

Indiretamente, a decisão beneficiou o Corinthians, que pôde enfrentar novamente Santos e São Paulo em jogos que havia sido derrotado. Quando reencontrou os rivais, o Alvinegro conseguiu quatro pontos a mais. Ao fim do Brasileirão daquele ano, a diferença foi o suficiente para que o Corinthians conquistasse o título. 

Se os placares originais tivessem sido mantidos, o Internacional teria sido o campeão brasileiro.

Ninguém foi condenado. Os árbitros Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon foram banidos das atividades no futebol.

Máfia da Loterias 

Primeiro grande esquema de manipulação de resultados no futebol brasileiro, a Máfia da Loteria foi revelada pela revista “Placar” em outubro de 1982. 

A publicação trazia o nome de 125 pessoas envolvidas em uma armação dos 13 jogos listados na Loteria Esportiva, criada pela Caixa Econômica Federal. Entre os citados no esquema estavam jogadores, técnicos, dirigentes, empresários e ex-atletas, incluindo Amarildo e Marco Antônio – campeões do mundo com a seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1962 e 1970. 

A manipulação consistia na escolha dos jogos que entrariam na Loteria Esportiva e, consequentemente, na fabricação de resultados, sobretudo as tão famosas “zebras”. Na época, das 125 pessoas citadas, apenas 20 foram indiciadas pela Justiça, mas ninguém foi preso. 

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