O personagem da semana!!! - SóEsporte
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O personagem da semana!!!

O personagem da semana!!!

O técnico Mario Jorge Lobo Zagallo anunciava os 22 atletas que iriam a Copa do mundo do México em 1970, ali por volta do mês de março daquele ano. Nomes incontestáveis eram citados entre os convocados, outros muito aguardados não, causando espécie em uma parcela da população quando foi concluída a convocatória. Em Minas Gerais por um pouco não se levantou um novo grupo de inconfidentes já que entre os eleitos a envergar a camisa amarela não constava o nome de Dirceu Lopes.

Como podem tê-lo esquecido? Ele participou do processo de renovação do scretch canarinho que se iniciou em 1968, havia atuado no mais alto nível do tão exigente e concorrido futebol daqueles idos, era elogiado pelos próprios companheiros de clube e de seleção pelo seu futebol superlativo. Ademir da Guia, considerado como injustiçado pelas poucas oportunidades de convocação, disse certa vez que mais injustiçado que ele foi Dirceu Lopes. Rivelino, Gerson e até mesmo o rei Pelé rasgavam elogios ao maravilhoso camisa 10 da Raposa. Dirceu foi revelado justamente no Cruzeiro de seu coração, ali por volta de 1963 chegando de sua Pedro Leopoldo natal, foi alçado ao time titular ainda bem menino pelo técnico Martim Francisco, era um marco na historia do clube celeste, o momento da guinada na historia do clube que até meados dos anos 50 era visto como terceira força no Estado, atrás dos rivais Atlético e América.

Mais feliz ainda ficou o torcedor cruzeirense quando Niginho, técnico da raposa, uniu a maior dupla de todos os tempos do futebol mineiro; Dirceu Lopes e Tostão soava uníssono no recém-inaugurado Mineirão, entre 1965 e 1969 não teve para ninguém nas alterosas, o Cruzeiro venceu tudo, Minas ficou pequena, o time desses meninos (termo bem mineirinho neh) de futebol absurdamente técnico ousou conquistar o país, e mais, ousaram enfrentar o poderoso Santos na decisão da Taça Brasil 1966. Aquele jogo épico em Belo Horizonte se tornou perpétuo, o que Dirceu Lopes jogou naquela noite coincide com o tamanho do placar daquela noite, 6×2 inapeláveis com três gols uma assistência e um pênalti sofrido.

O camisa 10 de azul ganhou a admiração de um país, mas não ganhou vaga em 1970 (já não havia conseguido para o mundial da Inglaterra). Mesmo ausente do maior torneio de futebol do mundo, Dirceu continuou conduzindo com seu futebol magistral o seu time de coração, mesmo com o fim da dupla com seu grande parceiro Tostão, enfileirou outra sequência de canecos estaduais para o clube, foram mais 4 entre 1972 e 1975, com uma nova geração surgida na Toca da Raposa, fez o time jogar no seu ritmo, a sua moda, eleito melhor jogador do país em 1971 pela revista placar, premio esse só entregue anos depois.

Em 1974 sua trajetória naquele campeonato foi simplesmente notável e por muito pouco não levantou o seu segundo título nacional, considerado por ninguém menos que o mestre Didi (campeão mundial de 58 e 62) como imprescindível para o mundial na Alemanha Ocidental naquele mesmo ano, afim de ser o equivalente ao que Cruyff era para a seleção holandesa, e mesmo com magnificas atuações durante o certame, não conseguiu vaga entre os eleitos a representarem o futebol brasileiro naquele torneio. Dirceu continuou desfilando sua categoria, vice-campeão brasileiro novamente em 1975, não jogou as finais por contusão.

Aliás, as contusões principalmente a do tendão de Aquiles foram o motivo da ausência de Dirceu na campanha a Taça Libertadores de 1976, embora componente do elenco, voltou a jogar no fim do ano no jogo que valia o título intercontinental contra o Bayern de Munique, fora de forma o meia não conseguiu ter uma boa atuação. Despediu-se do seu Cruzeiro no ano seguinte indo para o Fluminense, mas as malditas contusões não o fizeram render no Rio de Janeiro. Jogou ainda no Uberlândia encerrando sua maravilhosa carreira no final de 1979.

O hiato de sua carreira quanto a sua ausência na seleção me incomodou por bastante tempo, até o próprio que em um comovente depoimento ao Museu da Pelada, Dirceu às lagrimas falava com orgulho de sua carreira, que se sentia sim, magoa pelo não convocação para a Copa de 1970, mas que tinha dois orgulhos imensos: embora desprestigiado pelo técnico da seleção brasileira, foi convocado para a seleção do Mundo em 1973 para jogar na despedida de Eusébio, e principalmente o maior orgulho foi ter sido elogiado pessoalmente por seu maior ídolo, Garrincha. As lagrimas de Dirceu me fizeram entender o quão gigante é esse baixinho que encantou os olhos de quem o viu jogar, e que, parafraseando Fernando Calazans quanto a ausência do meia na Copa, azar da dela

Por Emerson Chaves.

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