A seleção campeã do mundo, Alemanha, parece ter deixado um legado a ser seguido por outras seleções do futebol mundial. A grande marca presente na conquista do time do técnico Joachim Löw foi o jogo coletivo – uma combinação de técnica, tática e individualidade, tudo em prol do grupo. Talvez esse seja o modelo dos sonhos preterido por qualquer treinador, mas que poucas vezes foi tão bem colocado em prática.
E uma das primeiras seleções a manifestar interesse em seguir o modelo alemão de jogar futebol é a seleção brasileira. Depois da humilhante eliminação na “copa das copas”, competição que foi anfitriã e que carregava a responsabilidade de conquistar o título, o Brasil agora tenta juntar os cacos do que sobrou de 2014 e seguir adiante com a filosofia da coletividade.
O primeiro passo foi contratar para o cargo de Coordenador Geral o ex jogador, tetra campeão em 1994, Gilmar Rinaldi. Gilmar terá a missão de cuidar de todas as seleções brasileiras, desde as categorias de base – masculino e feminina – até a seleção principal. E logo na coletiva de apresentação a imprensa, Gilmar já tinha na ponta da língua o discurso de coletividade.
“Meu desafio é começar a definir uma nova filosofia. Algumas medidas serão tomadas com foco no projeto. Sempre pensando que o coletivo tem que prevalecer sobre o individual – base de qualquer grande empresa e grande time”, afirmou Gilmar. “Vou conversar com ex-jogadores, treinadores. O momento é de ouvir muito, ter humildade para saber o que está acontecendo. Tem muita gente que pode ajudar, são brasileiros e fazem parte da seleção”.
O discurso parece coerente, mas terá efeito na pratica com os objetivos que a seleção brasileira tem pela frente?
E não são poucos: medalha de ouro nos jogos olímpicos daqui a dois anos, Copa América no ano que vem e o aguardado Hexa campeonato, na Rússia, em 2018.
Gilmar terá que atentar para um pequeno detalhe: se o modelo alemão é o exemplo a ser seguido, o Brasil terá também a paciência de esperar os resultados positivos como os alemães tiveram?
Para colher o fruto dos sonhos de qualquer seleção mundial, a taça do mundo, a Alemanha semeou uma geração que passou por três copas do mundo e duas eurocopas, sem ganhar nada. Assim como aconteceu no Brasil em 2014,a Alemanha também fracassou quando organizou uma copa em casa, embora com uma participação bem mais honrosa.
Mas a estruturação do futebol alemão começou de fato quando criou CTs nacionais. A DFB obrigou também todos os 36 clubes das primeira e segunda divisões da Bundesliga (18 em cada uma das divisões) a montar suas próprias escolinhas em tempo integral com estrutura para formar atletas para o futuro. A exigência é seguida até hoje e os frutos foram colhidos na Copa do Mundo de 2014.
Dos 23 convocados pelo técnico Joachim Löw para a disputa do Mundial no Brasil, apenas o veterano Klose não passou por seleções de base da Alemanha. O projeto com garotos – iniciado no começo da década passada – é responsável pela revelação de nomes como Manuel Neuer, Mesut Özi, Mario Götze, Mats Hummels, Thomas Müller e Marco Reus. Este último cortado às vésperas da Copa por conta de lesão, mas eleito o melhor jogador da última temporada da Bundesliga.
Organização, estrutura, profissionalismo e uma boa dose de talento, além do exercício de muita paciência. Os alemães deram o exemplo de como ser campeões, dentro e fora de campo. Não há mal algum em seguir um modelo que deu e vem dando certo com outra seleção. O Brasil só precisa adequar esse modelo a sua cultura futebolística.
Uma cultura de achar que uma derrota em copa do mundo seja sempre símbolo de fracasso e que seremos sempre os melhores do mundo sob qualquer circunstancia.
Maxwell Oliveira

















