Processo de Cuca na Suíça está em arquivo que guarda documentos de quase mil anos
O processo que resultou na condenação de Cuca e de outros três ex-jogadores do Grêmio em agosto de 1989 está guardado no Arquivo do Estado do Cantão de Berna, capital da Suíça, e está sob sigilo de 110 anos – ou seja, só poderá ser acessado a partir do ano 2099.
Incontáveis documentos e processos judiciais do país que datam desde o ano 1115 estão guardados no prédio, um fortificação subterrânea que tem mais de 20 quilômetros de corredores e salas. O prédio é protegido por um fortíssimo esquema de segurança, sobretudo contra roubos e incêndios. O sistema de segurança é semelhante ao de uma embaixada.
O processo de Cuca está na caixa C-2580 e tem 1.023 páginas. Na última sexta-feira, o ge pôde fazer imagens da página 915 deste processo, em que começa a sentença proferida pelo juiz do caso no dia 15 de agosto de 1989.
O nome da vítima e de cinco testemunhas foi preservado, mas estão lá os nomes dos quatro homens que foram condenados – Alexi Stival (Cuca), Henrique Etges, Eduardo Hamester e Fernando Castoldi – e as acusações contra eles: ato sexual com menores e coação.
Barbara Studer, diretora do Arquivo do Estado do Cantão de Berna, recebeu a reportagem na última sexta-feira. Ela leu o processo e, com o cuidado de não quebrar o sigilo de justiça, confirmou que são verdadeiras as informações já publicadas sobre o caso por jornais suíços que acompanharam o caso na época.
Ela não revelou nenhuma informação inédita. Mas confirmou que, segundo o processo, o sêmen de Cuca estava no corpo da vítima, e que ela reconheceu o hoje técnico de futebol como um de seus agressores. Barbara contou que no processo também está registrado que a vítima tentou se suicidar depois do crime e que ela ainda sofreu outros traumas psicológicos.
Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados a 15 meses de prisão por ato sexual com menores e coação. Fernando foi condenado a três meses de prisão por coação. Eles não estavam presentes ao julgamento.
Os quatro receberam uma pena condicional, que faz parte da legislação da Suíça. Neste caso, o condenado só vai para a cadeia caso cometa algum outro tipo de delito durante um prazo determinado pelo juiz. E este prazo prescreveu para Cuca e os demais.


















