Quando educação, esporte e superação transformam vidas
Parceria da Unoeste com a Associação Paradesportiva do Oeste Paulista é sinônimo de perseverança, inclusão e alto rendimento

Apop atende 120 pessoas com deficiência nas modalidades de natação paralímpica, atletismo e triatlo (Foto: Ector Gervasoni)
A força do esporte paralímpico brasileiro nasce, todos os dias, da perseverança de atletas que desafiam limites físicos, sociais e emocionais. No oeste paulista, essa realidade ganha ainda mais potência por meio da sólida parceria entre a Unoeste e a Associação Paradesportiva do Oeste Paulista (Apop), uma união que vai muito além do esporte e se consolida como referência em inclusão, formação acadêmica, pesquisa científica e desenvolvimento humano.
Reconhecida como a melhor universidade particular do estado de São Paulo, a Unoeste reafirma, por meio dessa parceria, seu compromisso com uma educação transformadora, acessível e alinhada às demandas sociais contemporâneas.
Ao lado da Apop, a instituição cria oportunidades reais para que atletas com deficiência alcancem o alto rendimento esportivo, construam trajetórias acadêmicas sólidas e vislumbrem um futuro profissional sustentável no pós-carreira esportiva.
Quando o sonho encontra o caminho
Giovanna Teodoro Arrais, 19 anos, é aluna da Unoeste, cursa o 3º termo de Educação Física e faz parte da equipe de natação da Apop desde 2022.
“Hoje eu sou atleta, treino com o pessoal do alto rendimento. Treino todos os dias, de segunda a sábado, e estudo na Unoeste”.
A história de Giovanna é o retrato fiel do impacto dessa parceria. Ainda no ensino médio, ela encontrou na natação paralímpica um propósito de vida. Foi a vivência nas competições, nos treinos intensos e na disciplina diária que despertou o desejo de transformar a paixão em profissão.
“Eu sempre tive o sonho de fazer faculdade na Unoeste. Com a natação, surgiu a ideia de fazer Educação Física por ser atleta e por futuramente talvez me profissionalizar como técnica de natação”.
Para Giovanna, a Unoeste é a materialização de um sonho antigo. Ao ingressar no campus, o impacto foi imediato.
“No meu primeiro dia de aula fiquei perdida devido ao tamanho do campus. Aqui tem estrutura que eu só via em filme mesmo. Laboratórios modernos, ginásios amplos, professores qualificados e uma metodologia que aproxima teoria e prática marcaram minha trajetória desde o início”.
A aluna afirma que os professores são maravilhosos e destaca a maneira que eles conseguem nos passar o conhecimento de uma forma simples, o que deixa tudo mais leve.
“Até hoje, acho que ainda não consegui me acostumar com a estrutura da faculdade… cada dia a gente conhece um pedaço novo”, pontua.
Giovanna conta que o seu primeiro contato com a Apop foi por meio do Salvador Cruz Neto, mais conhecido como Neto, responsável pela Coordenadoria da Pessoa com Deficiência de Presidente Prudente.
“O que começou como uma busca por qualidade de vida rapidamente se transformou em propósito. Fui inserida em campeonatos e isso virou minha paixão. Hoje é o que faz sentido na minha vida. Eu acordo, durmo e respiro natação”.
Por fim, Giovanna conta que seu objetivo é claro: devolver à comunidade tudo aquilo que o esporte e a educação lhe proporcionaram.
“Pretendo dar aula de natação para pessoas com deficiência. Meu intuito é continuar dentro da natação, mas seguir estudando e me especializando cada vez mais. Todo mundo é capaz de fazer o que quiser, não podemos deixar as limitações ou a vergonha nos separarem do nosso sonho. Para tudo existem adaptações”.

Giovanna Teodoro Arrais, é aluna do 3º termo de Educação Física da Unoeste (Foto: Ector Gervasoni)
Aprimoramento profissional: formação contribui para alto rendimento
Também aluna da Unoeste no curso de Fisioterapia e membro da Comissão Técnica da Apop, Vitória Maria Souza Doescher atua diretamente com pessoas com deficiência no esporte paralímpico.
A vivência prática no paradesporto tem sido fundamental para sua formação acadêmica e profissional, unindo teoria e prática desde o início da graduação.
“Eu sempre quis fazer mais uma graduação, e a parceria da Unoeste foi fundamental para que eu conseguisse estudar em uma excelente faculdade”.
Para ela, a Fisioterapia da Unoeste complementa diretamente sua atuação profissional.
“Quando vou para a clínica da Unoeste, consigo enxergar o tratamento da pessoa com deficiência ou até de uma doença passageira de outra forma, e isso complementa muito o meu trabalho aqui na Apop”.
A estudante ressalta que a experiência prática facilita o aprendizado ao longo do curso.
“Tem muitas matérias que consigo acompanhar com mais facilidade justamente por já trabalhar com esse público, então isso soma demais na minha formação”, explica.
Segundo Vitória, a integração entre universidade, prática profissional e esporte paralímpico amplia o olhar do futuro fisioterapeuta, contribuindo para uma atuação mais completa e humanizada.
“Hoje eu trabalho com pessoas com deficiência e minha meta é continuar no esporte, mas mais voltada para a fisioterapia esportiva e ortopédica”, afirma.
Para quem deseja atuar com esse público, ela deixa um conselho.
“É preciso ter sensibilidade e empatia. Aqui a gente não trabalha com dó, mas com capacidade. Estamos lidando com pessoas, e mesmo com deficiência, é um ser humano capaz de fazer qualquer coisa, desde que haja adaptação” completa.
Gestão que transforma: fortalecimento do paradesporto no oeste paulista
Micheline Cardoso é técnica de natação paralímpica, fundadora da Apop e servidora da Secretaria Municipal de Esportes (Semepp), sendo uma das principais referências no paradesporto no oeste paulista.
A profissional formada pela Unoeste conta que o a associação desenvolve um projeto extremamente importante para a inclusão de pessoas com deficiência por meio do esporte.
“Atualmente, a Apop atende 120 pessoas com deficiência nas modalidades de natação paralímpica, atletismo e triatlo, com atletas de 11 cidades da região, ampliando o alcance do esporte adaptado além de Presidente Prudente”.
A atuação da Apop fortalecida pela parceria com a Unoeste tem promovido avanços significativos na integração entre esporte, educação e ciência.
“Conseguimos entrar no universo acadêmico, aproximar cursos e disciplinas que utilizam nosso público para pesquisas e nos trazem dados importantes para atuar de forma mais assertiva”, explica Micheline.
Segundo ela, o apoio também se reflete em oportunidades concretas para os atletas.
“A parceria possibilita benefícios educacionais, permitindo que nossos atletas ingressem na universidade e vislumbrem um futuro profissional pós-carreira esportiva” explica.
Os resultados esportivos confirmam a seriedade e a qualidade do trabalho desenvolvido.
“Na natação, ficamos em primeiro lugar no Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo (Paresp) feminino e em segundo no masculino. São Paulo é o estado mais forte do Brasil, então estar no lugar mais alto do pódio é muito significativo para nós”, destaca.
No Campeonato Brasileiro de Natação, a Apop ficou entre as dez melhores, competindo com mais de 70 equipes. Já no atletismo, mesmo sendo um projeto recente, a equipe conquistou pódio estadual, enquanto no triatlo o atleta Lucas Rodrigues é vice-campeão brasileiro e segundo no ranking nacional.
Atletismo: novidade com destaque em competição estadual
Técnico desportivo da Semepp, Eduardo dos Santos Pereira atua em parceria com a Apop no desenvolvimento do atletismo paralímpico em Prudente e região. O projeto atende jovens e adultos de 12 a 40 anos, promovendo inclusão, alto rendimento e formação esportiva.
“Hoje nós temos atletas de várias idades e organizamos os treinos de acordo com a realidade da cidade, priorizando os cadeirantes no período da manhã e os andantes à tarde”, explica o treinador.
O trabalho atende não apenas Presidente Prudente, mas também municípios como Álvares Machado, Sandovalina e Teodoro Sampaio, fortalecendo o paradesporto no oeste paulista.
Mesmo sendo um projeto recente, iniciado no ano passado, o atletismo paralímpico da Apop já apresenta resultados expressivos no cenário nacional.
“Atualmente temos cerca de 25 atletas e, em pouco tempo, já conquistamos títulos importantes, como campeão brasileiro, recordista brasileiro e campeão brasileiro de jovens”, destaca Eduardo.
Segundo ele, o crescimento acontece de forma planejada.
“A gente prefere ir com calma, sem dar um passo maior que a perna, para não perder a qualidade do trabalho”, afirma, reforçando o compromisso com o desenvolvimento técnico e humano dos atletas.
Além de treinador, Eduardo também é atleta paralímpico de alto rendimento, o que contribui diretamente para sua visão dentro do esporte.
“Eu pratico esporte a vida inteira, sempre estive envolvido com basquete, vôlei, karatê e handebol. Depois que descobri minha doença, tive a oportunidade de me tornar paraatleta”, relata.
Ele encerrou 2025 como líder do ranking brasileiro no arremesso de peso e no lançamento de dardo, além de ocupar posições de destaque no ranking mundial.
“Mesmo sendo treinador, eu mantenho minha rotina de treinos diariamente, porque ainda tenho muitas competições pela frente”.
Para Eduardo, o esporte paralímpico no Brasil vive um momento de crescimento e transformação.
“Ainda existe uma visão social sobre o paradesporto, mas os atletas são de altíssimo rendimento e o Brasil é referência mundial”, afirma.
Ele destaca o papel do apoio institucional, especialmente da Unoeste, nesse processo.
“O apoio da Unoeste é fundamental, pois permite que os atletas treinem, compitam e também tenham acesso a uma universidade de referência”.


















