Rinaldo Mitref, do Espectros, decide encerrar a carreira - SóEsporte
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Rinaldo Mitref, do Espectros, decide encerrar a carreira

Ex-quarterback foi considerado por muitos como o melhor jogador da posição no Brasil. Atleta foi o primeiro nordestino a ser convocado para a seleção Brasileira e nunca perdeu um jogo atuando pelo João Pessoa Espectros

rinaldo mitrO João Pessoa Espectros e o Futebol Americano no Brasil perderam um dos seus principais representantes nesta segunda-feira (06). Aos 27 anos de idade, o agora ex-quarterback Rinaldo Mitref, decidiu encerrar a carreira. Após mais de oito anos dedicados ao esporte da bola oval, o paraibano decidiu não mais ser jogador, devido ao elevado número de lesões. Ao todo, foram cinco cirurgias durante os oito anos em que disputou o futebol americano.

Rinaldo, cujo apelido entre os companheiros de time é Mito, numa referência ao seu sobrenome Mitref, é considerado entre vários jogadores, técnicos e jornalistas como o melhor quarterback do Brasil de todos os tempos. Ele foi o primeiro jogador nordestino a ser convocado para a seleção brasileira e nunca perdeu uma partida pelo João Pessoa Espectros. Nas únicas cinco derrotas dos Fantasmas nos seus oito anos de existência, ele não estava atuando, exatamente por estar se recuperando de lesões.  O anúncio da decisão de encerrar a carreira veio através das redes sociais. O próprio atleta explicou os motivos que o fizeram parar de jogar e também sobre os planos futuros.

“A minha decisão de parar foi unicamente minha, não tinha conversado com ninguém a respeito disso, por isso houve muitas surpresas, mas o motivo real foi por conta das minhas lesões. Venho me arrastando há um tempo e como sabemos a vida de um atleta de futebol americano é curta e com muitas lesões ela acaba diminuindo mais ainda. Fiz duas cirurgias no joelho esquerdo e esta lesão foi a que me fez parar definitivamente. Não tenho confiança e isso para um atleta é crucial. Para um atleta decidir parar de jogar eu acho que é a decisão mais difícil, a mente quer continuar, mas o corpo já não obedece mais, infelizmente. Pode ser que lá no futuro eu me arrependa, mas no momento eu não me arrependo, pois sei que foi uma decisão pensada durante muitos meses. Pensar em voltar, ninguém sabe, o futuro é incerto. Quem sabe eu não faço uma surpresa aí daqui uns anos? No momento vou me desligar totalmente do time, não pretendo ocupar cargo nenhum. Irei aos jogos, serei o torcedor mais chato possível (risos) e caso precisem de mim para alguma eventualidade estarei disposto a ajudar da melhor forma, já que fui um dos fundadores e não vou dar as costas ao time que me consagrou”, declarou Rinaldo.

Repercussão Nacional

Alguns nomes importantes do cenário do futebol americano nacional lamentaram, também por meio de suas redes sociais, a aposentadoria precoce de Rinaldo. Para o técnico do Flamengo F.A (RJ) e membro da comissão técnica da Seleção Brasileira, Otavio Roichman, “o esporte perde um dos grandes atletas”. Otavio foi um dos responsáveis pela primeira convocação de Rinaldo na seleção, em uma partida contra o Chile em janeiro de 2012. Na ocasião, o paraibano lançou para dois touchdowns.

O técnico principal da Seleção, e comandante do Brasil naquela ocasião, Dan Muller, aproveitou para parabenizar Rinaldo pela carreira: “Monstro, deixou sua marca no esporte. Parabéns pela carreira e por mostrar sempre muita dedicação e força mesmo com as dificuldade das lesões.”.

Dan Muller, aliás, foi uma das vítimas de uma das maiores performances de Rinaldo. Na semifinal do Campeonato Brasileiro de 2013, quando o João Pessoa Espectros derrotou o São Paulo Storm por 33 a 30, numa eletrizante partida, onde o paraibano foi o grande destaque, no que foi classificado na ocasião como a melhor atuação de um quarterback brasileiro em solo nacional pelo também jogador da Seleção e do Flamengo, Raiam dos Santos, então comentarista de futebol americano do canal de TV Esporte Interativo.

Um outro técnico que também comentou o fim de carreira de Rinaldo foi Duda Duarte, do Botafogo Reptiles, também do Rio de Janeiro. Duda lembrou que no primeiro torneio de seleções estaduais, disputado em Sorocaba, em 2009, foi ele quem emprestou suas proteções de ombro para o paraibano. Acontece que para disputar aquele campeonato, muitos paraibanos não possuiam o equipamento completo, alguns nunca tinham sequer usado capacetes e demais proteções, e mesmo assim Rinaldo foi um dos destaque da boa campanha paraibana, quando a seleção do estado terminou na quinta colocação geral.

Entre os jogadores, vários agora ex-companheiros do Espectros e da Seleção também comentaram a decisão. “Melhor quarterback que já jogou ou joga no Brasil”, cravou Felipe Vargas, do Tubarões do Cerrado (DF), acrescentando: “Saiba que você deixou um legado no seu estado e admiradores por todo o Brasil”. “Um dos melhores que vi em campo”, mencionou Rammon Martire, também quarterback da Seleção Brasileira, em um outro comentário.

O treinador do João Pessoa Espectros e grande amigo de Rinaldo, Brian Guzman, também comentou sobre a decisão do quarterback de parar de jogar. Brian também postou um texto em sua rede social homenageando o agora ex-atleta e o tratou como o “melhor quarterback que já viu jogar”.

“Falando como treinador eu vou sentir falta, não é todo mundo que tem um atleta como Rinaldo no time, que jogou em mais de uma posição e chegou a ser por muitas pessoas considerado o melhor quarterback do Brasil. É uma peça indispensável. Acho que o que mais vai fazer falta mesmo é a liderança, a presença dele, que é uma coisa que gera um impacto muito grande, mas é um novo ciclo, outras pessoas vão ter que assumir esse papel. Vamos continuar trabalhando para sermos campões no fim do ano e referendar esse legado que ele deixou”, disse.

Outro que falou sobre a aposentadoria de Rinaldo, foi o atual quarterback do Espectros, Rodrigo Dantas. Ele comentou sobre a responsabilidade de substituir definitivamente um dos principais nomes do futebol americano no Brasil.

“Sobre substituir Rinaldo, foi um desafio que eu assumi desde 2012, quando ele se lesionou pela primeira vez, e procurei encarar da melhor forma todas as cobranças, tanto da torcida, quanto de dentro do time, para poder substituí-lo a altura. Apesar disso, ele foi um fundador do Espectros e foi o principal líder desse time por muitos anos, e até por esperar que ele continue presente no time de outras formas, não cabe a mim procurar ocupar o espaço dele, mas procurar ser o melhor jogador e líder que eu puder ser para dar alegria e sucesso ao time e a torcida do Espectros. Vou me esforçar cada vez mais para que Rinaldo veja o time que ele levantou ser campeão brasileiro pela primeira vez”, falou.

Rammom Monte
Assessoria de Comunicação do João Pessoa Espectros

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