Além do episódio de discriminação, Grêmio foi denunciado por arremesso de objetos em campo e atraso. Equipe de arbitragem e Santos também em pauta.
As lamentáveis cenas de injúria racial na Arena do Grêmio contra o goleiro Aranha, do Santos, já tem data para ser julgada no STJD. Em pauta na sessão da Terceira Comissão Disciplinar, o Grêmio terá que se defender na próxima quarta, dia 3 de setembro, pelo ato de discriminação racial de seus torcedores, lançamento de um rolo de papel higiênico no gramado e atraso.
Com risco de exclusão na Copa do Brasil e multa de até R$ 200 mil ao time Gaúcho, a Procuradoria pede ainda a suspensão das partidas na chave gremista até que o caso tenha um desfecho na Justiça Desportiva. O pedido foi acatado pelo presidente Caio César Rocha e comunicado à Diretoria de Competições da CBF.
O episódio foi reprovado pelo Procurador Geral do STJD, Paulo Schmitt, que destacou algumas medidas para erradicar o racismo no futebol brasileiro.
“É preciso que outras autoridades também façam a sua parte. Ministério Público, autoridades policiais e judiciárias precisam agir contra criminosos normalmente travestidos de torcedores. Os clubes devem responder pelos atos racistas e violentos de seus torcedores, quanto a isso não resta dúvida alguma, mas não basta. Estamos em contato com a CBF e sua Comissão de Arbitragem para que os árbitros sejam melhor instruídos e nos auxiliem a combater essa prática nefasta que revela um atraso social e ainda encontra no futebol um terreno fértil a sua proliferação. Um câncer a ser extirpado do esporte para preservar a dignidade humana contra atos de preconceito.”
Pela Copa do Brasil, a atitude da torcida do Grêmio revoltou o Brasil. Com o Santos vencendo por 2 a 0, torcedores que estavam localizados na parte de trás do gol santista, insultaram o goleiro Aranha com palavras e ações racistas.
Depois de analisar vídeos, matérias jornalísticas veiculadas e a súmula do confronto, a Procuradoria do STJD denunciou as infrações ocorridas na Arena.
Responsabilizado pela ação da torcida, o Grêmio será julgado com base nos artigos 243-G (discriminação racial) e no 213, inciso III (arremesso de objeto em campo), ambos do CBJD.O clube responde ainda ao artigo 191 por descumprir o regulamento e entrar em campo três minutos após o horário previsto. Pelo primeiro artigo, o Grêmio pode ser excluído da competição e multado em até R$ 100 mil, multa essa que também está prevista nas demais infrações.
Com a grande repercussão do caso, o árbitro Wilton Pereira Sampaio incluiu o episódio em um Adendo à súmula da partida onde informa ter tido conhecimento do racismo através da imprensa e que tinha sido alertado por alguns atletas do Santos, mas o fato não foi confirmado por nenhum integrante da comissão.
Desta forma, o árbitro Wilton Pereira Sampaio, os assistentes Kleber Lúcio Gil e Carlos Berkenbrock e o quarto árbitro Roger Goulart foram denunciados por infração aos artigos 261-A e 266, ambos do CBJD. Todos estão sujeitos a suspensões de até 90 dias e 360 dias, respectivamente. As duas infrações podem ser cumuladas com multa de até R$ 100 mil cada. Já o assessor Luiz Cunha Martins será julgado por descumprir o artigo 191 do CBJD.
Por fim, consta na súmula o atraso do Santos em dois minutos para entrar em campo e de um minuto para o reinício da partida. Diante do STJD, o clube paulista irá responder aos artigos 191 e 206, ambos do CBJD. A pena para ambas as infrações é de multa.


















