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Perder o sono por muito tempo sem razão aparente ou ter ansiedade generalizada -aquela em que se fica preocupado só de “pensar em viver” -deixa a pessoa mais suscetível ao problema com o passar dos anos
Pessoas que passam pela experiência de graves crises de ansiedade têm 48% mais chance de desenvolver demência, segundo um estudo da Universidade do Sul da Califórnia. O achado foi publicado no Journal of the Alzheimer’s Association.
A demência é um quadro em que pode haver perda de memória, confusão em relação ao tempo e ao espaço, e dificuldades para a realização de tarefas complexas. Muitas são as doenças que caracterizam a demência –a mais comum é a Doença de Alzheimer.
O diferencial do estudo é a relação exclusiva entre ansiedade e demência -muitos outros já demonstraram a relação entre demência e depressão, por exemplo.
A ansiedade, diz o estudo, tem sido pouco estudada se comparada com a depressão. Esse fator é importante porque enquanto a depressão tende a ser episódica e circunstancial, a ansiedade muitas vezes é um problema crônico que não raro perdura por toda a vida.
Preocupação elevada sem motivo aparente e dificuldade para dormir por mais de seis meses podem estar associados a quadros crônicos de ansiedade. Foto: Ingimage
Como foi o estudo
As conclusões têm por base 28 anos de dados de um estudo sueco que acompanhou o envelhecimento de 1.082 irmãos gêmeos. Eles passaram por testes a cada três anos e foram examinados para várias condições –entre elas, a demência.
Os gêmeos que desenvolveram demência ao longo dos anos tinham um histórico maior de ansiedade que aqueles que não reportaram os mesmos sintomas no questionário.
Mas quanta ansiedade pode gerar a demência?
O que distingue a ansiedade normal da crônica ou generalizada é seu nível de disfunção e durabilidade. Se há problemas para dormir, de concentração, preocupação elevada–a ponto de que só de pensar em viver já há a ansiedade -o quadro é preocupante. Os sintomas, no entanto, devem durar mais de seis meses.
Segundo os autores, a ansiedade que pode levar a demência perdura por muito tempo e, normalmente, não está associada a um fato isolado -como a perda de um ente querido ou o desemprego, por exemplo. “As pessoas que desenvolvem a demência passam por níveis mais crônicos de ansiedade”, disseram os autores. “São pessoas frenéticas, geralmente fatigadas.”
Na pesquisa, para determinar quais níveis de ansiedade estão correlacionados ao risco de demência, pesquisadores compararam os que reportaram baixos níveis de ansiedade com os que disseram passar por sintomas mais disfuncionais do transtorno. O grupo com quadro mais grave de sintomas tem 48% mais chance de desenvolver a demência.
Possível explicação
O mecanismo, de acordo com a pesquisa, pode ser explicado pela via hormonal. Pessoas mais ansiosas têm elevados os níveis de hormônios do estresse, como o cortisol. Muitas evidências mostram que níveis muito altos do hormônio danificam partes do cérebro, como o hipocampo (que armazena a memória) e o córtex pré-frontal, (responsável pelo pensamento abstrato).
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