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Causos & Lendas do Nosso Futebol: Oitenta e Cinco Anos de Lutas

Causos & Lendas do Nosso Futebol: Oitenta e Cinco Anos de Lutas

“Agitam-se bandeiras no estádio, a explodir!Porque, o Auto Esporte, de repente, vai surgirA multidão exulta, a cada instante,Esperando confiante, a vitória conseguirA luta contra tudo e contra todos começouO Auto Esporte vai mostrar o seu valorSem ódio e sem rancor, sem nada a temer,Sabendo que a disputa  é pra valerUm brado então se ouviu, em todos os rincõesIncendiando nossos corações!”

Fundado em 07 de setembro de 1936, o Auto Esporte Clube tem uma história pautada em altos e baixos momentos de glória, porém sempre possuindo uma equipe guerreira e uma pequena e apaixonada torcida.

A sua fundação ocorreu em um ambiente que predominava os motoristas da capital, que na época se reuniam no antigo “Ponto de cem réis” em uma histórica praça de táxi.Aquela pequena agremiação – no início os seus jogadores eram todos motoristas-  foi crescendo e treinando em vários campos da capital, o que resultou em uma maior aproximação do povo, deixando de ser um time de motoristas e passando a ser conhecido como o “Clube do Povo”.

As suas cores predominantes são o vermelho e o branco, caracterizando-se como alvirrubro, tendo o “Macaco” como o seu mascote oficial e uma sede e centro de treinamento localizados no Bairro de Mangabeira, onde funciona o seu Estádio Evandro Lélis.

O seu primeiro título estadual foi brilhantemente conquistado de forma invicta no ano de 1939, com um time que a sua torcida nunca esqueceu e que tinha como base os seguintes heróis: Terceiro, Bíu, Zé Novo, Henrique, Gerson e Aluísio, Neto, Formiga e Pitôta, Pedrinho e Misael.

Por duas vezes os seus dirigentes cogitaram mudar o nome do clube, a primeira foi em 1953, quando tentaram modificar  para Associação Esportiva do Comércio. A segunda ocorreu em 1967, quando tentaram realizar a fusão do clube dos motoristas com o extinto Esporte Clube União, nascendo dessa fusão o Auto União. Ambas as iniciativas não prosperaram.

Em 1951 o Clube do Povo realizou a sua primeira partida internacional, quando enfrentou a tripulação do navio argentino “Punta Del Loyola” que estava ancorado no Porto de Cabedelo. Os alvirrubros honraram a sua tradição e golearam os hermanos por cinco tentos a um.

Um fato pitoresco na gloriosa história do “Autinho do Amor” foi quando a sua delegação pegou um ônibus e foi enfrentar a seleção de Itabaiana, em 01 – 12 – 1959. Na estrada o seu ônibus quebrou, e os jogadores precisaram caminhar cerca de um quilômetro para conseguirem outra condução, que era um ônibus de linha e já devidamente lotado. Em resumo, os jogadores foram colocados em cima da bagagem e na parte superior do veículo.

Esse segundo ônibus também sofreu uma pane, os jogadores desceram, pegaram a bagagem e resolveram ir andando até o campo da cidade. Essa partida terminou empatada em 0 x 0.Hoje, o Auto Esporte possui em sua galeria de troféus seis títulos estaduais, vários torneios comemorativos, torneios inícios, da segunda divisão e de categorias de base. Já participou de competições nacionais chanceladas pela CBF, como a Taça Brasil, Copa do Brasil e nas segunda e terceira divisões.

Vários jogadores se destacaram com a camisa do Clube do Povo, cada um em sua época. Podemos citar os atacantes e artilheiros Miltinho, Meínha,  Anselmo, Dentinho Guerreiro e o profeta Isaías. O goleiro Fernando, os zagueiros Telino, Da Silva e Nascimento e o seu maior destaque Rinaldo Amorim, que na década de sessenta jogou ao lado de Pelé e Garrincha com a camisa verde e amarela.

Lamentamos muito as últimas e desastrosas administrações do clube, que não souberam honrar e a dar continuidade a uma história de um clube que faz parte do coração de uma cidade.  
Viva o Auto Esporte! 
Serpa Di Lorenzo

Historiador, Membro da ACEP e APBCEfalserpa@oi.com.br

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