GAGO: O ÍDOLO QUE O FUTEBOL ESQUECEU - SóEsporte
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GAGO: O ÍDOLO QUE O FUTEBOL ESQUECEU

Memória do Botafogo Paraibano

Por Raimundo Nóbrega

GAGO: O ÍDOLO QUE O FUTEBOL ESQUECEU

Nos anos 1960, um atacante chamado GAGO fez história com a camisa do Botafogo Paraibano. Em apenas três temporadas marcou 62 gols. Foi o principal artilheiro do Clube em cada temporada. Essa marca o colocou na 15ª posição entre os maiores artilheiros nos 95 anos de existência do nosso querido Clube.

Anos depois, ao pesquisar a sua história, enfrentei uma dificuldade: ninguém sabia me dizer seu nome completo. Consultei jornais da época, consultei vários companheiros seus, ainda vivos, mas todos o conheciam apenas pelo apelido de “Gago”. Finalmente, encontrei a resposta num antigo livro de contabilidade do Botafogo, escrito ainda com o bico de caneta nankin. Entre os registros de pagamentos, lá estava: “pago a Gago – José Olinto Filho”.

Resgatei seu nome, mas descobri também o destino trágico que a vida lhe reservou. Segundo relatos de colegas, depois de abandonar os gramados, sua situação se complicou. Desempregado, sem outra profissão, caiu no ostracismo e entregou-se ao álcool. Afastou-se da família, foi encontrado morto num banco qualquer do Mercado Central. Morreu na indigência, esquecido por quase todos.

Sua história precisa servir de alerta aos milhões de meninos brasileiros que sonham em ser jogadores de futebol. Abandonar os estudos para perseguir exclusivamente o sonho de jogar bola pode comprometer todo o futuro de um jovem. Estudar não é desistir do futebol. É preparar-se para a vida!

Hoje, presto minha homenagem a GAGO, ou melhor, a José Olinto Filho, o 15º maior artilheiro na história do Botafogo Paraibano. Seus 62 gols lhe garantiram um lugar eterno na memória alvinegra da estrela vermelha. Que o seu nome não desapareça novamente. Os gols passam, os aplausos acabam e a carreira termina.

Mas a dignidade humana jamais deve sair de campo.

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