Futebol

Jornalista é agredida por técnico de escola de futebol enquanto trabalhava: “Ele gritou comigo e me chamou de burra”

Foto: @rm_fotografia70

A jornalista e diretora-geral da TV Liberdade de Arapiraca, Priscila Anacleto, denunciou que foi agredida verbalmente por um técnico de uma escola de futebol de base de Maceió. As agressões ocorreram durante a  transmissão de um campeonato de base, realizado no final de semana em Arapiraca. Segundo Priscila, o técnico a agrediu chamando ela de burra e proferindo palavras de baixo calão.

Ao Eufemea, Priscila contou que a TV Liberdade estava transmitindo ao vivo o campeonato de futebol de base no dia 5 de setembro e a equipe ainda não tinha a súmula com os nomes dos jogadores. “Por falta de organização dos times, muitas vezes, o árbitro não recebe a súmula que tem o nome dos jogadores em tempo hábil”, disse.

Foto: @ph_fotosoficial. Na foto: Priscila, jornalista Tony Medeiros e o comentarista Luiz Afonso Neto.

Por causa disso, a jornalista começou a ir diretamente até os times para solicitar. “Eu já tinha ido ao árbitro umas três vezes para solicitar a súmula e ele não tinha”.

Priscila disse que como ainda não tinha conseguido os nomes, ela foi até o assistente do técnico para solicitar as escalações dos times do sub17 e sub20. “A nossa intenção era ter o nome dos que estavam jogando para poder repassar para quem estava assistindo”.

Foi nesse momento que o técnico de um dos times a viu falando com o assistente e se dirigiu até a jornalista proferindo palavras de baixo calão, agredindo-a verbalmente com gritos.

“Ele me chamou de burra e disse que eu não sabia fazer o pedido ao árbitro”, contou.

A jornalista afirmou que anda preparada para reagir aos casos de assédio, mas que nessa situação, ela ‘travou’.

“Eu nunca imaginei passar por isso. Parei no tempo. Ainda fui até o  árbitro pegar a súmula e voltei para o mezanino”, comentou.

Chegando ao mezanino, a jornalista se deu conta do que tinha acontecido. “A ficha caiu”, disse. E as lágrimas vieram. O esposo dela que estava no local a incentivou que ela chamasse a polícia.

“Minha vontade era pegar tudo e ir embora, mas pensando nos meninos que estavam jogando e nas famílias que estavam chorando porque conseguiram ver os filhos jogando, arrumei forças não sei de onde para continuar”, reforçou.

O apoio e a Justiça

Desde o acontecimento, a jornalista tem recebido muitas mensagens de apoio, carinho e de incentivo para que ela denuncie.

“Eu sei que não sou a primeira e nem a única mulher a passar por isso, mas sou jornalista e sempre incentivo a denunciar. Então quem seria eu se não fizesse a mesma coisa?”.

De acordo com Priscila, o técnico nega que tenha feito algo. “Eu acho que ele pensa que é normal tratar uma pessoa assim”.

O caso não vai ficar assim. A jornalista registrou um boletim de ocorrência e vai entrar com uma ação na Justiça.

Sindjornal emitiu nota de repúdio

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas emitiu uma nota de repúdio. Confira na íntegra:

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (SindJornal) repudia veementemente as agressões verbais sofridas pela jornalista Priscila Anacleto, diretora geral da TV Liberdade AL de Arapiraca, por parte do técnico de uma escola de futebol de base Maceió.  

Durante a transmissão de um campeonato de base, realizado no final de semana em Arapiraca, o técnico agrediu verbalmente, com gritos e palavras de baixo calão a jornalista, no momento em que ela foi solicitar as escalações dos times do sub17 e Sub20.  

Priscila Anacleto foi humilhada e constrangida, em público, enquanto exercia a sua profissão.

Diante do fato, o SINDJORNAL se solidariza com a mulher e a jornalista Priscila Anacleto e se coloca à disposição para as devidas providências jurídicas. Não podemos tolerar que manifestações de caráter machista ainda sobrevivam no meio esportivo.

Por Raíssa França

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