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Outro lado da Copa do Mundo

O outro lado da Copa do Mundo: as lesões que interrompem carreiras e exigem resposta rápida da medicina esportiva

Exames de imagem têm papel central na identificação, monitoramento e recuperação das lesões mais frequentes no futebol profissional, ajudando a definir condutas médicas e o retorno seguro dos atletas às competições.

As lesões musculares e ligamentares voltaram ao centro das atenções no futebol internacional às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Nomes como Rodrygo, Éder Militão, Jack Grealish e Hugo Ekitike estão entre os atletas já confirmados fora do torneio por problemas físicos ocorridos na reta final da temporada europeia. O cenário reacende a discussão sobre sobrecarga competitiva, prevenção e a importância do diagnóstico por imagem no acompanhamento de atletas de alta performance. 
 

Segundo Dr. Harley De Nicola, médico radiologista, professor doutor da Unifesp e superintendente médico da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem – FIDI, o futebol profissional concentra um perfil de lesões bastante conhecido pela medicina esportiva, principalmente em membros inferiores. “As lesões musculares, ligamentares e tendíneas continuam sendo as mais frequentes no futebol de alto rendimento porque envolvem estruturas submetidas a explosão, aceleração, mudança brusca de direção e contato físico constante”, explica. 

Nesse cenário, o diagnóstico por imagem tornou-se uma ferramenta central não apenas na confirmação da lesão, mas também no planejamento terapêutico e na definição do retorno esportivo. “Hoje, a ressonância magnética, o ultrassom musculoesquelético e, em alguns casos, a tomografia computadorizada permitem avaliar extensão da lesão, grau de comprometimento das fibras musculares, edema, inflamação e resposta ao tratamento com muito mais precisão”, explica. 

 Segundo o médico, exames seriados também ajudam a reduzir o risco de retorno precoce. “Nem sempre a melhora clínica significa cicatrização completa da estrutura lesionada. O acompanhamento por imagem auxilia na tomada de decisão da equipe médica e reduz o risco de recidiva, que é bastante comum em lesões musculares”, acrescenta. 

Pernas: melhor amigo que exige atenção especial 
Estudos nacionais e internacionais ajudam a dimensionar esse cenário. Pesquisa conduzida pela University of South Wales, liderada por Steven Jones (2019), identificou que as regiões mais afetadas em jogadores de futebol são a coxa (23%), o tornozelo (17%) e o joelho (14%). Já levantamento realizado pela Unifesp, conduzido por Quintana (2010) com atletas profissionais brasileiros, apontou que 72,2% das lesões ocorrem nos membros inferiores, sendo 34,5% na coxa, 17,6% no tornozelo e 11,8% no joelho. 

Já o estudo desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em análise do Campeonato Brasileiro Série A de 2016 mostrou que 59,3% das lesões registradas ocorreram nos membros inferiores, com predominância das lesões musculares em posteriores de coxa, responsáveis por 59,5% das ocorrências musculares observadas. 

 Na avaliação do especialista, o calendário esportivo intenso tem influência direta nesse aumento de casos graves. “O corpo do atleta de elite opera constantemente próximo do limite fisiológico. Em temporadas longas, com poucos intervalos de recuperação, existe aumento importante do risco de lesões musculares e sobrecarga articular”, afirma Harley. 

 Entre os casos mais graves desta temporada está o de Rodrygo, atacante da Seleção Brasileira e do Real Madrid, que sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior associada a lesão no menisco lateral do joelho direito. Já Éder Militão passou por cirurgia após lesão muscular no bíceps femoral. Outros atletas sofreram rupturas de tendão de Aquiles, lesões ligamentares e rupturas musculares extensas, quadros que frequentemente exigem meses de recuperação e acompanhamento contínuo. 

 Atletas de final de semana precisam ter cuidado 

Além do ambiente esportivo profissional, o especialista alerta que muitas dessas lesões também são frequentes em praticantes amadores. “Existe uma tendência de reprodução da intensidade do esporte de elite sem o mesmo preparo físico, recuperação ou acompanhamento médico. Isso aumenta o risco de lesões graves mesmo em atletas recreativos”, afirma. 

 A expectativa da medicina esportiva é que o uso crescente de inteligência artificial, análise biomecânica e monitoramento fisiológico contribua para modelos mais preditivos de prevenção nos próximos anos. Ainda assim, o diagnóstico por imagem segue como um dos pilares centrais para avaliação segura, definição terapêutica e preservação da carreira esportiva de atletas de alto rendimento. 

As fontes dos estudos citados são se JONES, Steven. Injury patterns in professional football players. University of South Wales, 2019.  QUINTANA, H. et al. Incidência de lesões em atletas profissionais brasileiros. Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), 2010. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR). Análise epidemiológica de lesões no Campeonato Brasileiro Série A, 2016. 

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