VOCÊ SE LEMBRA DE DEDÉ AMARELO?
Ele nasceu no dia sete de setembro do ano de 1950, na próspera cidade de Mossoró-RN. Foi batizado por seus pais com o nome de Damião Neves Oliveira, mas, para o mundo da bola, ficou conhecido como o atleta “Dedé Amarelo”. Seus pais vieram morar em João Pessoa-PB e, para a sua felicidade, no bairro de Cruz das Armas, berço da Associação Atlética Portuguesa (AAP), tradicional equipe amadora da nossa capital.
Com quinze anos de idade, Dedé já mostrava a sua intimidade com a bola, tanto a de campo como a de quadra. Jogou futebol de salão pelo Colégio Professor Afonso Pereira, na época dos jogos escolares, e também pela loja Tecidos Motta, quando conquistou o disputado Campeonato dos Comerciários. Ele também foi campeão paraibano dos Jogos Industriais, defendendo as cores da Indestil, em uma acirrada decisão realizada na cidade de Campina Grande contra a boa equipe da Indústria Souza Cruz. Com a bola pesada, ele jogava de ala direita. Prendia muito bem a bola e chutava muito forte.
No futebol de campo, onde ficou bastante conhecido e disputado por várias equipes, Dedé Amarelo iniciou-se no antigo Canto do Rio e, logo em seguida, foi fazer história na Associação Atlética Portuguesa. Com a bonita camisa da Lusa de Cruz das Armas, o nosso homenageado jogou vários anos e conquistou o tricampeonato amador paraibano, sempre sendo observado pelos clubes profissionais. No início da década de 70, Dedé Amarelo, que jogava de volante, foi contratado pelo Auto Esporte Clube. Naquela época, o clube dos motoristas era treinado pelo senhor Américo, e a sua sede funcionava no bairro do Varjão. Ali, ele teve o prazer de jogar ao lado de Chico Alicate, Carneiro, Miltinho, Jerônimo, Toinho, China e tantos outros bons jogadores.
Depois de uma excelente temporada no alvirrubro da capital, ele foi contratado pelo Botafogo Futebol Clube, então presidido pelo saudoso Héder Henriques e com sede no antigo Estádio Olímpico José Américo de Almeida, o histórico campo do Boi Só, praça de esportes onde o Rei do Futebol marcou o gol de número 999. Com a camisa do Botafogo, ainda sem a estrela vermelha, Dedé Amarelo teve a companhia de Saulo Gaguinho, Walter Moreira, Odon, Chico Matemático, Leone, Zezito, Marco Antônio, Geraldo Chorão e tantos outros, comandados pelo treinador Manuel Veiga.
Seu último clube profissional foi o Santos Futebol Clube, de José Walter Marinho Marsicano, o popular desportista Tereré. Sim, ali, no alvinegro, as portas sempre estiveram abertas tanto para quem estava iniciando quanto para quem desejava encerrar a sua carreira dentro dos gramados. Na condição de atleta convidado, Dedé, por várias vezes, reforçou as equipes do nosso interior. Vestiu a camisa do Santos Futebol Clube, da cidade de Pilar; do Vila Nova Sport Club, da cidade de Itabaiana; do Vila Branca Sport Club, da cidade de Solânea; e do Confiança Esporte Clube, da cidade de Sapé. Hoje, aposentado, ele lembra com saudade de uma época em que não se ganhava dinheiro, mas o futebol era jogado para frente e era bonito de se ver.
Em uma bela tarde de domingo, por exemplo, o campinho da Graça estava totalmente lotado para assistir a Botafogo-PB e Clube Náutico Capibaribe, do Recife. A difícil missão de Dedé Amarelo foi marcar o craque em ascensão Jorge Mendonça. Ele cumpriu a missão dada pelo treinador com tanto esmero que, no outro dia, os dirigentes estavam à sua porta, querendo levá-lo para o plantel alvirrubro dos Aflitos. A família e a vida profissional impediram a sua transferência para o clube pernambucano.
Para nós, torcedores, cronistas e desportistas paraibanos, ficou a certeza de que o senhor Damião Neves Oliveira, o popular “Dedé Amarelo”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.
Serpa Di Lorenzo
















