Mais uma vez, a nossa seleção brasileira de futebol foi desclassificada de forma vergonhosa em uma Copa do Mundo. Desde já afirmo que ela não pode ganhar todas as Copas, como quer o torcedor, porém jogar sem um esquema tático definido, sem raça, é inadmissível. As críticas surgem de todas as formas, culpando exclusivamente os nossos jogadores e a comissão técnica. Eu diria, salvo melhor juízo, que eles são os que menos têm culpa em cartório. Até porque, com raríssimas exceções, os nossos jogadores acreditam e vivem em um mundo imaginário, como se fossem semideuses, verdadeiros filhos de um humano com uma divindade, como nos ensina a mitologia grega. E, como ocorreu nas competições anteriores, eles conquistaram o primeiro lugar em coreografia, careta, dança, tatuagem, penteado e adereços. O treinador, com vasto e bem-sucedido currículo nos clubes europeus, fez o seu papel e aumentou consideravelmente o seu enorme patrimônio.
Afinal, quem são os culpados? Os culpados são os sucessivos e irresponsáveis dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol e seus amigos, presidentes das federações estaduais. Pessoas sem o menor compromisso, ética ou identificação com o nosso futebol. Claro, tudo com o apoio dos omissos cartolas que comandam os nossos clubes. É um escândalo atrás do outro. O atual presidente da entidade máxima do nosso futebol, ao sentar na cadeira da CBF, foi recebido por uma busca e apreensão da Polícia Federal. Quando contratou Carlo Ancelotti, precisou pagar uma fortuna a um empresário para intermediar o contrato. Desde quando foi preciso um intermediário para contratar um técnico para a nossa seleção? Se o treinador estrangeiro iria trazer modernidade para o nosso futebol, por que o seu auxiliar não é um brasileiro para aprender com ele e, posteriormente, repassar esses conhecimentos? Qual o motivo de se renovar o contrato do treinador antes da Copa, antes dos resultados?
Se não bastassem tantas coisas inexplicáveis, o presidente convidou e levou gratuitamente os presidentes de federações e clubes da primeira divisão para assistirem à estreia da nossa seleção na Copa. Sim, ele levou justamente aqueles que têm direito a voto no viciado e promíscuo colégio eleitoral da CBF. Enquanto o dinheiro abunda nessas viagens dos amigos do rei, temos ex-jogadores na fila esperando uma consulta para realizar um simples raio X. Mas a esculhambação tinha que ser vexatória e humilhante para a nossa nação. A imprensa noticiou e mostrou documentos comprovando que o presidente da CBF levou a esposa e uma amante para assistirem à Copa, deixou uma no México e alojou a outra nos EUA. Por mim, ele poderia ter levado um harém e feito a maior suruba do mundo, desde que fosse com o dinheiro dele e não do pobre e sofrido torcedor brasileiro, que, às vezes, pega mais de dois ônibus para chegar ao estádio. É uma vergonha sem limites. Os presidentes de federações recebem mensalmente salários astronômicos, enquanto as equipes amadoras dos subúrbios não podem sequer pagar as taxas de inscrição dos atletas. E não me venha dizer que a CBF é uma entidade de direito privado e pode fazer o que quer. Ela usa as cores, a bandeira, o hino e, acima de tudo, o sentimento de uma nação que, antes de Pelé e companhia, não passava de uma república de bananas desconhecida.
Tudo isso ramificado para os estados. Aqui, na Paraíba, quem comanda a entidade máxima do futebol, a FPF, é uma senhora totalmente alheia ao meio, chegando ao cargo, segundo reportagem do Esporte Espetacular, da Rede Globo, por meio de fraude, compra de votos, ameaças, chantagens e uma série de irregularidades. Diz ainda a reportagem citada que Marco Polo Del Nero, conhecido nas redes sociais por diversos romances com mulheres jovens, ex-presidente da CBF e banido do futebol pela FIFA por práticas de suborno e corrupção, foi o padrinho dessa senhora.
Claro que uma árvore podre não pode gerar bons frutos.


















