Colunistas

VOCÊ SE LEMBRA DO GOLEIRO LULA?

VOCÊ SE LEMBRA DO GOLEIRO LULA?

Ele nasceu na prazerosa cidade de Itabaiana- PB, terra do músico Sivuca e do comentarista esportivo Ivan Bezerra Cavalcante, no dia vinte e oito de agosto do ano de mil novecentos e quarenta e sete. Os seus pais o batizaram como LUÍS MARQUES, mas para o mundo da bola ele ficou conhecido como o excelente goleiro “LULA”. Desde cedo ele destacou-se com a camisa do Vila Nova Sport Clube, equipe tradicional daquele pacato município.

No final da década de sessenta a sua fama já tinha ultrapassado a região de Itabaiana e despertado o interesse das duas grandes equipes de Campina Grande: o Treze Futebol Clube e o Campinense Clube, que por pouco não conseguiram a sua contratação.

A então diretoria do Botafogo Futebol Clube, sabiamente, conseguiu antecipar – se aos cartolas da Rainha da Borborema e trouxe aquele jovem para vestir o seu tradicional e respeitado uniforme. Até então, Lula nunca tinha jogado portando luvas e nem em jogos noturnos, desconhecendo os reflexos dos refletores. A sua estreia foi em um jogo noturno, no acanhado e lotado estádio Leonardo Vinagre da Silveira, o popular campinho da Graça. Depois de dez minutos em campo, o nosso homenageado se acostumou com a iluminação e mostrou toda a sua versatilidade embaixo dos três paus.

Ele chegou ao Botafogo Futebol Clube para participar daquela brilhante campanha que resultou no tricampeonato conquistado nos anos de 1968, 69 e 70, sempre disputando e revezando a camisa de número um com outro grande goleiro chamado Fernando. Até hoje ninguém sabe precisar quem era o melhor dos dois.

Depois de vários anos de glórias no Botafogo Futebol Clube, Lula foi jogar na equipe do Guarabira Futebol Clube, o então azulão do brejo, equipe forte que disputava o então campeonato paraibano. Para ele era mais cômodo jogar por uma equipe de Guarabira, cidade próxima de sua Itabaiana, permitindo-lhe fiscalizar os seus negócios comerciais.

Lula foi um comerciante de sucesso em sua cidade, chegando a possuir e administrar com a sua família o antigo posto de gasolina Nossa Senhora da Conceição, imóveis, o curtume Nossa Senhora da Conceição e o hotel Leiliane, existente no centro da cidade e cujo nome homenageia a sua filha.

Mas o futebol o fascinava e corria em suas veias, e ele vestiu a camisa de número um do Treze Futebol Clube, em 1974. Voltou a jogar no Botafogo Futebol Clube, em 1976 e também teve uma passagem pelo Clube de Regatas Brasil – CRB, esquadrão do estado de Alagoas.

E para premiar essa carreira irretocável que deu muitas alegrias ao torcedor paraibano, LULA foi o escolhido pelos deuses do futebol para ser escalado como goleiro no dia catorze de novembro de 1969, em uma partida amistosa envolvendo o Botafogo PB e o Santos Futebol Clube de Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto, Edu, Manoel Maria e companhia.

Aquele amistoso era acompanhado pelos desportistas e imprensa de todo mundo, não pela importância do jogo em si, que era festivo das faixas do clube paraibano, mas sim pela possibilidade do maior jogador do mundo marcar o seu milésimo gol. Antes da partida, o Rei contabilizava 998 gols marcados em sua inigualável carreira. E foi olhando para LULA, chutando colocado e sem nenhuma chance de defesa que Pelé marcou o seu 999, gols, de pênalti, em nossos gramados, no antigo estádio José Américo de Almeida, o saudoso Olímpico do Boi Só. Por pouco aqui não ocorreu o milésimo, que seria marcado dias depois no Maracanã, em cima de outro grande goleiro, o argentino Andrada. Dessa data em diante, LULA, que iria ser considerado um dos maiores goleiros da história do futebol paraibano, passou a ser o goleiro que por pouco, mas por muito pouco mesmo, não sofreu o milésimo gol daquele que meses depois traria em definitivo para esse país a sonhada taça Jules Rimet.

No dia 05 de agosto de 2021, aos 74 anos de idade, LULA faleceu em decorrência de vários problemas de saúde que vinha enfrentando.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas paraibanos ficou a certeza de que o cidadão LUÍS MARQUES, o popular goleiro “LULA” escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Por Serpa Di Lorenzo

Clique para comentar

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.