A tecnologia entrou em campo e agora também apita o jogo - SóEsporte
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A tecnologia entrou em campo e agora também apita o jogo

A tecnologia entrou em campo e agora também apita o jogo

Gol anulado no fim de Portugal x Croácia mostra como IA sensores e dados em tempo real viraram protagonistas nos jogos nas empresas e na vida cotidiana

A cena já virou familiar. A bola entra, a torcida explode, o jogador corre para comemorar e, segundos depois, aparece o aviso que ninguém quer ver no telão: checagem do VAR. Foi assim no duelo entre Portugal e Croácia, na Copa do Mundo de 2026, quando a tecnologia voltou a roubar a cena ao participar da anulação de gols e influenciar diretamente o placar da partida.

Se antes a discussão terminava no olhar do bandeirinha, hoje ela passa por câmeras, sensores, inteligência artificial, bola conectada e dados processados em tempo real. O futebol descobriu, às vezes com dor para quem já estava abraçando o colega na comemoração, que a tecnologia deixou de ser auxiliar de luxo e virou personagem principal.

Para Igor Moura, sócio fundador e COO da Under Protection, empresa brasileira especializada em cibersegurança, continuidade operacional, monitoramento contínuo e resposta a incidentes, o episódio ajuda a explicar uma mudança que vai além dos gramados. A tecnologia já não aparece apenas para facilitar processos. Ela passou a decidir, validar, corrigir e, em alguns casos, frustrar comemorações.

“Hoje, o desafio não é apenas desenvolver tecnologias precisas. É garantir que elas operem com integridade, disponibilidade e proteção contra qualquer tentativa de comprometimento. Quando uma decisão depende de dados, a confiança passa a depender também da segurança digital”, afirma Moura.

No futebol, essa engrenagem tecnológica cruza imagens, posicionamento dos atletas, momento exato do toque na bola e interpretação automatizada de lances em frações de segundo. A arbitragem segue responsável pela decisão final, mas o caminho até ela mudou. O olho humano ganhou reforço de máquinas que enxergam detalhes quase invisíveis, inclusive aquele desvio mínimo que ninguém no sofá percebeu, mas que pode mudar o destino de uma seleção.

A tecnologia entrou em campo

Segundo Moura, o VAR é um exemplo didático de como a confiança em qualquer decisão digital depende da qualidade do dado. Se a informação é precisa, íntegra e chega no momento certo, o sistema ajuda. Se falha, atrasa, é corrompida ou sofre interferência, a confiança no resultado entra em risco.

“Inteligência artificial não funciona sozinha. Ela depende da qualidade do dado, da segurança da infraestrutura, da estabilidade da comunicação e da capacidade de detectar comportamentos anormais. Se uma dessas camadas falha, a confiança no resultado também é afetada”, explica.

A lógica vale para o futebol, mas também para bancos, hospitais, aeroportos, indústrias, aplicativos de transporte, sistemas de reconhecimento facial e plataformas de pagamento. Em todos esses casos, a tecnologia deixou de atuar nos bastidores. Ela aprova transações, libera acessos, calcula riscos, organiza fluxos e sustenta decisões que impactam dinheiro, tempo, segurança e reputação.

A diferença é que, no futebol, todo mundo vê. Um gol anulado aos 103 minutos transforma um debate técnico em assunto de mesa de bar. Nas empresas, o efeito pode ser menos barulhento, mas não menos grave. Um dado errado pode liberar uma operação indevida, travar um atendimento, comprometer um diagnóstico ou derrubar um serviço essencial.

Para a Under Protection, esse é o ponto central da discussão. Quanto mais a tecnologia ganha protagonismo, maior precisa ser a preocupação com cibersegurança. Não basta o sistema ser inteligente. Ele precisa ser protegido, monitorado e capaz de resistir a falhas, ataques e manipulações.

“Quando milhões de pessoas acompanham uma decisão em tempo real, qualquer indisponibilidade, manipulação ou comprometimento da infraestrutura pode gerar impacto operacional, financeiro e reputacional. A cibersegurança deixou de proteger apenas informações. Hoje, ela protege a confiança nas decisões”, afirma Moura.

O caso de Portugal e Croácia mostra que a tecnologia já não está apenas ajudando o jogo. Ela está dentro do placar. E, fora dos estádios, a mesma lógica se repete todos os dias. Na vida digital, confiar em um resultado passou a depender de uma pergunta simples: quem protege os dados que tomam decisões por nós?

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